Todos os brasileiros ficaram muito tristes quando, em setembro, um incêndio destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ele funcionava no bairro Quinta da Boa Vista, num lindo prédio bicentenário, que tinha sido lar da Família Real Portuguesa.
Desde que o incêndio destruiu milhões de peças, as pessoas se perguntavam: “E agora, está tudo perdido?” Não está, responderam os responsáveis.
Enquanto trabalham no longo processo de reconstrução física do museu, eles se preparam para, junto ao Google, possibilitar visitas virtuais, com o material disponível em arquivos. Isso significa que os interessados não precisam se deslocar até a Quinta da Boa Vista, no Rio, e sim recorrer a celulares ou computadores. E isso porque o Museu Nacional é uma das mais de 50 instituições de arte brasileira a integrar o Google Arts & Culture. Esta é a plataforma do Google voltada a reunir exposições dos maiores centros artísticos e culturais do mundo. O anúncio será feito brevemente no Rio em um evento onde o Museu Nacional divulgará novidades do processo de recuperação de peças resgatadas dos escombros do prédio.
No tour virtual, o visitante poderá percorrer os corredores do museu e ver o ambiente interno tal qual era antes do incêndio. Não poderá ver tudo, pois, de 20 milhões de peças que faziam do museu o quinto maior acervo do mundo, menos de 1% das obras estava exposta ao público. Mas poderá ver o fóssil de Luzia, que com 11 mil anos é a mulher mais antiga das Américas; vasos Marajoaras (de índios da Ilha de Marajó, no Pará), que datam de 3 mil anos; múmias e sarcófagos; incontáveis coleções de borboletas; centenas de outras peças. Esses itens foram destruídos pelo fogo, mas o tour inclui ainda o Meteorito Bendegó, que resistiu ao incêndio. Sobre o Bendegó, falamos aqui no Clubinho, há algum tempo.
Isso só foi possível porque o Museu Nacional começou a trabalhar em 2016 com o Google, que cedeu algumas de suas tecnologias para digitalizar partes da instituição.
Este fato é importante para nós avaliarmos como a tecnologia pode fornecer formas de preservar a memória de objetos. Poderemos ver virtualmente o interior de um museu que não existe mais. E, o que hoje parece espantoso, pessoas que ainda não nasceram poderão visitá-lo no futuro!