Um trote realizado pela turma de Medicina da Unifran (Universidade de Franca) com os calouros do curso tem gerado revolta nas redes sociais. Com conteúdo machista, misógino e pornográfico, a atitude dos veteranos, que obrigaram os estudantes, tanto meninos como meninas, a entoarem juramentos com xingamentos contra outros cursos e contra o Uni-Facef tem sido compartilhada através de vídeos, fotos e áudios em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram.
Com trechos como “me reservo totalmente a vontade dos meus veteranos e prometo atender ao seus desejos sexuais. Compreendo que namoro não combina com faculdade e a partir de hoje sou solteira e estou a disposição dos meus veteranos”, o “grito de guerra”, que teve que ser entoado especialmente pelas calouras, foi considerado por muitas como uma violência e não uma brincadeira.
Além dos vídeos com os juramentos, existem ainda imagens em que os calouros são obrigados a se ajoelharem e consumirem melancias no chão.
Com a repercussão do caso a Atlética Med do Uni-Facef, Associação Atlética Acadêmica Arquitetura e Urbanismo, Atlética de engenharias da Unifran, Diretório Acadêmico “28 de Março”, da Faculdade de Direito de Franca, Odonto Franca e Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca se pronunciaram com notas de repúdios ao trote e o conteúdo discriminatório e machista.
Em nota oficial publicada no Instagram, a Atlética Med Franca, do curso de Medicina da Unifran, publicou: “A Associação Atlética Acadêmica Dr. Ismael Alonso Y Alonso, Centro Acadêmico Tomás Novelino e o núcleo de apoio escutamos, lutamos e acolhemos, condenam qualquer tipo de atitude de cunho discriminatório. O juramento feito no trote acabou por gerar repercussão muito grande, e com razão. Reconhecemos o cunho ofensivo do discurso feito, o qual não possui autoria das entidades estudantis. Todos nós já estamos tomando providências sobre um assunto que realmente necessita de atenção e atitudes imediatas. Junto ao grupo de apoio às mulheres e à comunidade LGBTQ+ do nosso curso nos propomos a reformular o juramento feito durante o trote de forma que não venha ferir nenhuma pessoa em qualquer aspecto. Estamos profundamente descontentes com tal situação. Estamos trabalhando todas as entidades estudantis e alunos para que isso não ocorra novamente. Pedimos desculpas a todos que se sentiram ofendidos, em especial a odonto Unifran e Facef pelos comentários infelizes citados nesta tarde”.
Também por nota, a Unifran se manifestou sobre o caso e afirmou que “repudia quaisquer atos que incitem preconceito, homofobia, machismo, discriminação, constrangimento ou equivalentes, praticados por membros da comunidade universitária, em particular aqueles relacionados aos chamados ‘trotes‘ aplicados aos novos estudantes. É com esse espírito que a Instituição se manifesta veementemente contrária ao ocorrido. Atitudes como essa não constituem somente atos de preconceito, mas um ataque à própria Universidade, uma violência à sua tradição e missão, motivo pelo qual os responsáveis pelos atos estão sendo identificados e serão penalizados”, porém sem especificar quais seriam essas penalidades.
Outros grupos de alunos de outros cursos da Unifran também se manifestaram contra os alunos veteranos da medicina.
Entre as penalidades as quais os responsáveis pelo trote estão sujeitos, segundo a Unifran, estão advertência oral e em particular, exceto no caso de advertência coletiva; advertência por escrito; suspensão de até 30 dias; transferência compulsória ou não renovação da matrícula no caso de discentes.