08 de julho de 2026

Tragédia nacional


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Era uma sexta-feira como qualquer outra, no seu horário de almoço. Famílias se reuniam ao redor da mesa para comer, funcionários se encontravam no refeitório para o intervalo antes de retomar o trabalho. Foi quando, exatamente às 12h28, um barulho ensurdecedor tomou conta do ambiente e um mar de lama, em ondas gigantes, tomou conta de tudo. Agora, é impossível imaginar exatamente o que aconteceu em seguida naquele dia em Brumadinho (MG), nas ruas e casas da região ou no complexo da empresa.

Pessoas levadas por quilômetros numa mistura de água, terra e rejeitos; prédios inteiros invadidos pela enxurrada violenta, automóveis, animais… tudo arrastado como em um filme assustador. O que restaram foram famílias completamente destruídas, sobreviventes que, mesmo aliviados por estarem vivos, nunca mais serão os mesmos, e um cenário desolador.

Segundo as autoridades locais, 121 pessoas morreram e 226 continuam desaparecidas. Ao observar o rastro de destruição que corta a cidade mineira, é difícil imaginar que mais de uma semana depois do desastre mais pessoas serão encontradas com vida.

Três anos após a tragédia de Mariana é inconcebível pensar que outra barragem, também da Vale, sofreu o mesmo problema com resultados ainda mais pavorosos.

Falar agora em indenização às famílias que perderam suas casas e parentes amados, em prisão para responsáveis ou até em leis mais severas para crimes ambientais é pouco demais. A sensação é de que nada será suficiente para diminuir os danos do que aconteceu. Nada.

Não há nem o que dizer para Paola Prates, de apenas 22 anos, que perdeu o marido, e continuam desaparecidos sua irmã de 13 anos e o filho de apenas 1 ano e seis meses. Ela foi arrastada da pousada onde o marido trabalhava, até um pilar da ponte que cortava o rio Paraopeba. A cena do resgate de Paola é chocante. Encoberta pela lama, ela foi salva por um trabalhador da Vale. “A única coisa que eu queria era a minha família do meu lado. Direito nenhum vai trazer eles de volta”, disse ela em entrevista essa semana.

Apesar de toda a dor, a inércia não é uma opção.

O Brasil tem que acordar. As autoridades, nos três Poderes, precisam tomar uma postura de total intolerância com quem desrespeita a legislação e abusa dos limites do meio ambiente, colocando em risco a vida de milhares.

É urgente discutir o papel da fiscalização. A geração de empregos, lucros e impostos não pode mais ser usada de fachada para que se faça vistas grossas para a segurança, para medidas que garantam que tragédias como a de Mariana e a de Brumadinho nunca mais aconteçam. O planeta não permite mais. As famílias vítimas não permitem mais. Os brasileiros não permitem mais.