17 de março de 2026

Retorno ao passado


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Já fomos mais felizes e, sem saudosismo, nos recordamos ainda como podíamos andar a pé tranquilamente. Voltar caminhando ou assobiando para casa, depois de bailes e festas. A madrugada não assustava. Agora, até o meio dia aterroriza. Ninguém sabe se conseguirá chegar são e salvo em casa. Pobres pais, que nunca mais dormiram tranquilos depois que tiveram seus filhos.

A tanto contribuía uma forma singela de existir. As pessoas do campo se orgulhavam de trabalhar a terra. Formavam pequenas autarquias, pois essa era a vocação natural dos sítios paulistas. Havia um pouco de tudo. Vivia-se em verdadeira autonomia, necessitando de pouco para completar o que era necessário para viver bem. Em paz consigo mesmo e em paz com a natureza.

O caipira paulista não só legou uma cozinha própria, como uma arquitetura própria. As casas eram de pau a pique e resistiam. Pois essa arte de construir foi desaparecendo. É muito difícil encontrar quem consiga edificar nos moldes daquilo que era o mais comum durante a Colônia e que sobreviveu ao Império.

Uma ONG em Ubatuba, que funciona em área de mata atlântica preservada, se preocupou com a sustentabilidade. O Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica se propõe a divulgar a redução de impactos causados pela ocupação humana no ambiente.

Seu coordenador, o engenheiro florestal Leonardo Britto, diz que “é um caminho para a autossuficiência, em que a gente utiliza o que a natureza faz para gerar o mínimo de resíduos e o máximo de recursos”. Ali as construções são feitas com barro, pedra e madeira de demolição. A compostagem produz o adubo utilizado na horta e no pomar. A energia provém de uma turbina hidráulica instalada em um curso d’agua das imediações.

As construções ecológicas são mais baratas do que as convencionais. A principal economia está nos materiais. Para difundir tais técnicas, o IPEMA oferece cursos de bioconstruções, que incluem o pau-a-pique, com barro e madeira e a hiperadobe – com terra ensacada.

Não seria interessante mergulharmos no passado e tentarmos fazer a vida um pouco melhor do que o estresse e a sofisticação em que nos vimos mergulhados?

 

 

José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente, conferencista e autor de Ética Ambiental