09 de julho de 2026

Brumadinho não foi acidente


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Mais de três anos após o maior desastre ambiental do Brasil, o rompimento da barragem de Mariana (MG) em novembro de 2015, o país pouco avançou no monitoramento e fiscalização desse tipo de construção. A tragédia ocorrida na manhã desta sexta-feira, 25, o rompimento e transbordamento de barragem em Brumadinho, também em Minas Gerais, mostra a falta de cuidado com a qual a questão vem sendo tratada. Afinal, o país tem centenas de barragens mal cuiddes e mesmo tragédias dessa magnitude, tudo indica, não foram suficientes para mudar essa realidade.

O jornalista Leonardo Sakamoto levantou em segu blog uma questão importante. Tratar essas ocorrências como “acidente” faz crer que não há responsáveis, que a situação é inevitável. O que não é verdade. A responsabilidade está nas mãos de empresas e autoridades. “O que ocorreu em Brumadinho não foi um simples acidente e as mortes decorrentes tampouco são fruto do acaso. O que ocorreu é resultado da incapacidade da Vale em garantir que suas operações não matem seres humanos, poluam a água, contaminem o solo e destruam o meio ambiente e da incompetência de autoridades dos Três Poderes em punir devidamente a empresa quando ela causa tragédias ou prevenir antes que isso aconteça”, disse ele, coberto de razão.

Lamentavelmente, mesmo depois do triste episódio em Mariana, tudo ficou do mesmo jeito, o que abriu espaço para que nova tragédia acontecesse. Falta investimento por parte das empresas e fiscalização pesada por parte do Estado para evitar absurdos como esse.

Muitos especialistas se manifestaram a respeito do ocorrido desde sexta. O professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Barreira Martinez, afirma que o monitoramento é primitivo e que há um excesso de leniência do Estado para com as empresas.

O problema das barragens de mineradoras, na verdade, começa ainda na construção, segundo especialistas, que dizem que o processo é muito menos rigoroso do que o de hidrelétricas, por exemplo. O mais grave é constatar que

técnicos da área dizem que a barragem dá, sim, sinais de falha, mas que a pressão pela produção pode interferir nas medidas de segurança. Martinez compara a situação a um infarto. ‘Tem uma dor no peito, depois no braço, há sintomas. É claro que as empresas sabem o que acontece e vão levando a situação‘, afirma. Da mesma maneira que no infarto, se os sintomas são levados a sério, as chances de sobrevida são maiores. Lamentável que isso não tenha ocorrido nem em Mariana, nem em Brumadinho e dezenas de inocentes tenham morrido.