Nao ano de 1861, o codificador do Espiritismo, Allan Kardec, continuando a implantação da Doutrina nascente, publicou O livro dos médiuns, destinado aos interessados em conhecer e utilizar os mecanismos da mediunidade.
Guia dos médiuns e dos evocadores, a obra constitui insuperável tratado do intercâmbio entre ambas as dimensões em que domicilia a Inteligência do Universo – o espírito, encarnado e desencarnado. Rica de detalhamento sobre a fenomenologia espiritual e como tratá-la, contribui para revelar ao homem o verdadeiro sentido da vida.
As reuniões espíritas é sua preocupação maior. Ensina como devem ser conduzidas, como analisar forma e conteúdo das comunicações recebidas, e enfatiza a essencialidade da sintonia mental entre os participantes do grupo.
A mediunidade - destaca - deve ser exercida com interesse voltado para o seu resultado caridoso, sem visar a qualquer vantagem material. Esclarece que a fascinação é obsessão grave, à qual se deixam submeter médiuns egoístas, orgulhosos e vaidosos, de que resultam sérios transtornos. Explica que o médium fascinado é isolado por espíritos inferiores, que o impedem de ser alertado pelos benfeitores, quanto à gravidade da sua situação, que inclui a falsa convicção de que sabe tudo, é capaz de resolver qualquer problema e que, enfim, está acima de todos.
A mediunidade acompanha a humanidade desde as cavernas, daí existirem médiuns que não são espíritas, chegando mesmo a relegar o livro que lhes seria a fonte segura a nortear-lhes a atividade espiritual, levando o espírito Emmanuel, mentor de Chico Xavier, no capítulo XII do livro Seara dos médiuns, a alertar-nos: “Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela.”
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca