Um acidente ocorrido na rodovia Cândido Portinari, entre Brodowski e Ribeirão Preto, na noite do último domingo, 13, demonstra como a irresponsabilidade pode atingir níveis tão absurdos, a ponto de matar uma mulher e acabar com a felicidade de uma família.
O empresário Fabrício de Luna Vieira, de 35 anos, morador de Guará, decidiu dirigir e pegar a estrada após ingerir bebida alcoólica, segundo a polícia. O gesto, visto e, infelizmente, praticado por muitos como coisa corriqueira, foi o responsável pela tragédia que vitimou a francana Katiuscia Bianca, de apenas 31 anos. Ela seguia em um Corsa para Ribeirão, onde estava morando, quando foi atingida na traseira por um Audi, conduzido por Fabrício. Com a violência do impacto, o carro capotou e a jovem morreu. A filha e o noivo de Katiuscia, que estavam com ela no carro, ficaram feridas, foram socorridas e passam bem.
A expressão “passam bem” só é usada aqui para tratar de aspectos físicos. Porque, do ponto de vista emocional, Igor de Moraes Alvez ainda não conseguiu se refazer da tragédia da noite em que perdeu a mulher com quem pretendia se casar. Ele busca consolo no fato de Katiuscia ter morrido como uma heroína. “No momento do acidente, ela salvou nossa filha. Ela só teve um arranhão, porque a Katy abraçou a cadeirinha dela. Nisso ela sofreu todo o impacto‘, relatou emocionado, logo depois do acidente, e preocupado com os dias da bebê de 1 ano e 3 meses que vai crescer sem a mãe.
“Quero acreditar que isso seja meu maior pesadelo, que daqui a pouco vou acordar, e você vai estar com aquele sorriso mais lindo”, postou Igor em suas redes sociais. Mas, infelizmente, a história de Katiuscia acabou. Nada vai mudar essa realidade. Mas a revolta que permeia todos que tomaram conhecimento da história se arrefece minimamente ao saber que, pelo menos, o responsável pela morte de Katiuscia está preso. Segundo informações dos policiais que atenderam a ocorrência, o motorista do Audi tinha sinais de embriaguez e, ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, acabou preso em flagrante. Depois, na tarde de segunda-feira, após audiência de custódia realizada em Brodowski, a Justiça determinou a prisão preventiva do empresário. Ele foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Pontal, na região de Ribeirão Preto e vai responder pelos crimes de homicídio culposo, lesão corporal culposa e embriaguez ao volante.
Diante de tamanha tragédia, o desfecho parcial parece condizente com a gravidade do crime que ele é acusado de ter cometido. Agora, a defesa de Vieira informou que vai recorrer da decisão para que o empresário responda ao processo em liberdade. A expectativa de todos que conheciam Katiuscia ou que se entristeceram com sua história é que ele não consiga.