09 de julho de 2026

O volante não nos dá superpoderes


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O acidente que vitimou Érik Pinto da Silva, de apenas 15 anos, no primeiro dia de 2019, chocou a região inteira. Após a morte, o vídeo que mostra o garoto dirigindo em altíssima velocidade reacende ainda mais a preocupação com a maneira como os motoristas têm se comportado atrás do volante. Érik era apenas um menino, sem habilitação nem maturidade para estar ao volante, mas o comportamento dele se repete em muitos francanos com idade muito mais avançada e que, mesmo com idade e habilitação para dirigir, se comportam como se tivessem superpoderes, só porque estão atrás do volante.

Os números são assustadores. Em 2017, 47 pessoas perderam a vida em atropelamentos, colisões ou quedas de motos. Em 2018, mesmo sem contabilizar as mortes dos últimos 15 dias do ano, o total saltou para 52 vítimas fatais. O período em que esses acidentes aconteceram deixa muito claro que a grande maioria é fruto da alta velocidade, imprudência e álcool. Destas 52, mais de 30 pessoas morreram entre sextas-feiras e domingos, em colisões que ocorreram entre as 18 horas e meia-noite.

“A lei existe, a nossa cidade é relativamente bem sinalizada. O problema está no comportamento do motorista. Infelizmente, os acidentes são causados, em sua maioria, por causa da conduta do motorista infrator”, disse o tenente Régis Antônio Mendes, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, em entrevista recente à reportagem do Comércio. Nesta tragédia que marca nossas vias, contabilizamos os jovens que tiveram suas vidas encerradas. Em 80% dos casos, foram homens entre de 18 e 24 anos que tiveram suas famílias e futuros destruídos.

Mas nem a lei seca tem coibido os francanos de pegarem o volante sob o efeito do álcool. Até o dia 29 de novembro de 2018, 1.742 motoristas foram flagrados no teste do bafômetro. Desses, 447 foram pegos em flagrante e 1.295 se recusaram a fazer o teste. Praticamente o dobro dos números do ano anterior, quando o total foi de 1.031 condutores detidos.

Mesmo quem se recusa a fazer o teste, temendo ter seu teor alcoólico flagrado pelo bafômetro, é penalisado com uma multa de R$ 2.934,70 e corre o risco de ter a carteira de habilitação suspensa por um ano. Ou seja, o motorista francano ainda se arrisca a perder três meses de salário mínimo e o transtorno de ter a carteira suspensa para dirigir depois de beber, além, é claro, de colocar a sua vida e a do próximo em perigo.

O menino Érik morreu aos 15 anos. Vivia a fase da adolescência em que os jovens se sentem indestrutíveis. Mas o fato é que ele não vai se formar, não vai casar, ter filhos, não terá a chance de viajar o mundo, de viver um grande amor. Por conta de uma decisão equivocada, deixou para trás todas as possibilidades de um futuro e uma família destruída por enterrar um filho tão jovem. A dor causada pela morte de Érik será eterna para os que o conheceram e o amaram. A tragédia é irreversível, mas que possamos, ao menos, evitar uma próxima.