Na resposta à questão 919, de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho, um dos componentes da falange do Espírito da Verdade (Para quem não sabe, este último foi o responsável por coordenar as revelações dos espíritos para o fim da codificação do Espiritismo, sendo ele próprio o principal revelador), dá-nos um roteiro seguro para nossa condução vivencial.
Entre outras coisas, adverte-nos quanto à necessidade do autoconhecimento, lembrando Sócrates, na inscrição do oráculo da histórica Delfos, na Grécia antiga. Recomenda-nos a autoanálise diária, indispensável à busca da melhoria espiritual. Propõe façamos, no fim do dia, um balanço das nossas atitudes, sempre buscando ajustarmo-nos ante aqueles que, por ventura (ou desventura), tenhamos ofendido.
Agora, que chegamos ao final de mais um ano, façamos, à feição dos empresários da economia e do abnegado Santo Agostinho, um balanço geral das nossas atitudes: Granjeamos mais amigos? Vencemos nossas imperfeições? Tornamo-nos mais fraternos? Praticamos a caridade, na sua verdadeira acepção? Perdoamos incondicionalmente aqueles que julgamos nos terem ofendido? Nossas ações foram úteis, no bom sentido? Contribuímos para a paz mundial?... Se negativa a resposta, ainda que num só desses itens, teremos encerrado o ano com lamentável déficit moral. Se positivas todas, alegremo-nos, a nossa conduta apresentou o tão almejado lucro evolutivo.
Mesmo que sob o desconforto dos tropeços momentâneos, retidos na estação da dor, das incertezas, eliminemos defeitos, somemos virtudes, mantendo a fé em Deus, e nos certificaremos de que tudo passa e se transforma para melhor.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca