Saudade; o que move essa palavra, por qual razão nós brasileiros a inventamos e em nenhum lugar do mundo, com seus milhares de idiomas e dialetos, não há uma tradução ipsis literis do que significa essa tal saudade.
Na vasta pesquisa feita, para elaboração deste artigo, descobri que essa tal “saudade”, dentre milhões de vocábulos, foi considerada um dos sete mais difíceis de se traduzir, de acordo com votação (de mil linguistas) realizada pela agência londrina Today Translations.
Terça-feira (31/12) encerraremos 2018, para aclarar ou neblinar, ainda mais, essa prolixidade e aproveitando o ensejo da data sobredita, o reflexivo sentimento é, ao mesmo tempo, tudo e nada, se transformando no concreto mais abstrato, no tangível mais intocável. Ressalta-se que a invenção dessa palavra luso-brasileira é formidável e de certo modo indecifrável, o que a torna mais contemplativa e admirada.
Ao consultar (no dicionário) o significado da palavra saudade podemos constatar sua profundidade. Trata-se de um substantivo e quer dizer “sentimento nostálgico provocado pela distância de (algo ou alguém), pela ausência de uma pessoa, coisa e local, ou ocasionado pela vontade de reviver experiências, situações ou momentos já passados”. Já o escritor (brasileiro) Osvaldo Orico afirmava que: “Nenhuma palavra traduz satisfatoriamente o amálgama de sentimentos que é a saudade. Seria preciso nos outros países a elaboração de um conceito que também amalgamasse um mundo de sentimentos em apenas um termo. Ficamos, pois, com a nossa “saudade”. Essa dicotomia nas explanações revela o complexo labirinto interpretativo da saudade.
A máxima de que saudade é um sentimento melancólico, de tristeza, de angustia, pode ser refletida, pois, olhando pelo viés do “copo meio cheio”, a saudade é linda, esplendorosa, é inigualável; se exercitarmos nossas consciências, sentimos saudade de algo ou de alguém porque desfrutamos o melhor da vida, o melhor desse algo ou de alguém e isso é o âmago do viver; quem vive com saudade, vive com histórias bem sucedidas em suas jornadas, logo cada reflexão de saudade é um troféu na sua galeria da vida.
Em sendo assim, orgulhosamente devemos ter saudade do que se viveu, do que se vive e, porque não, do que poderíamos ter vivenciado contemplando, por meio do ensurdecedor silêncio que ecoa através desse sentimento.
Talvez a melhor conclusão para este artigo, seja a inconclusiva afirmação: “Saudade é sentir sede com a alma”. Deixando uma única certeza, de que o sine qua non para a vida é baseado em amor e saudade; amor para viver e saudade para ter pelo que viver. Assim, que tenhamos vivido 2018 para deixar saudades e vivamos (corajosamente) 2019 para marcar nossas almas e corações desfrutando e contemplando este (brasileiríssimo) sentimento, pois a sorte acompanha a coragem!
Adriel Cunha
advogado, secretário municipal de Assuntos Estratégicos