08 de julho de 2026

Um governo perdido


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As ruas de Franca estão limpas, árvores podadas, muitas praças bem cuidadas. Com exceção dos ortopedistas e ginecologistas, as consultas na rede básica de saúde têm sido feitas. As reclamações de mau atendimento nos Pronto Socorros da cidade diminuíram. O trânsito, com mais lombofaixas, melhorou. Os números também são positivos, Ideb, ranking de cidade melhor para se viver, qualidade de gestão. A pergunta que fica é, por que, diante de tantos pontos positivos, está tão consolidada a imagem de um governo problemático?

A explicação é muito mais simples que a solução. Temos, ao fechar dois anos de mandato, um governo confuso, titubeante, perdido em si mesmo. Problemas que exigem clareza e uma mão firme, se arrastam há meses, como os ambulantes que se espalham pela cidade sem nenhum tipo de regulação, ou as escolas que continuam sem saber quem serão seus diretores.

No último sábado, uma reunião convocada às pressas na Câmara Municipal, para garantir a aprovação de projetos importantes para a prefeitura, foi um resumo de toda a confusão que marca esta administração. Na pauta, nove projetos para votação, protocolados 48 horas antes. Confusos, mais da metade recebeu pareceres contrários do jurídico da Câmara.

Em um deles, que garantiria um ajuste do orçamento para o pagamento dos salários de janeiro dos servidores, pedia, na mensagem de explicação do projeto, autorização para que parte do dinheiro fosse destinada ao pagamento do décimo terceiro. O problema é que o pagamento já tinha sido feito dias antes. Qual o sentido de pedir autorização para fazer algo que já tinha sido feito? Nenhum, claro. Os vereadores questionaram e a explicação foi típica. A mensagem estava desatualizada, foi escrita antes do pagamento do décimo terceiro e se perdeu no tempo, mas o projeto de lei estava correto.

Diante desse tipo de absurdo, o prefeito decidiu ir até a Câmara e explicar caso a caso para os vereadores. Em meio a ligações que fazia ou recebia, Gilson de Souza dizia que estava ali para ‘dar um abraço de Natal nos vereadores.‘ Mas, em uma hora de total tensão, seu jeito mineiro em vez de despertar simpatia aumentava ainda mais a irritação.

Os projetos todos tinham razão de ser: abono para os servidores da educação, organizar a data para o pagamento de IPTU com desconto, repassar dinheiro para a Santa Casa. O que não tinha nenhum motivo para existir, é a maneira como o governo os elabora, organiza e defende. Sem atenção aos detalhes, sem se importar com os prazos, sem uma pessoa específica para explicá-los e defendê-los.

Ao começar 2019, a cruzada de Gilson de Souza é muito clara. Não adiantam explicações ou longas conversas depois que o problema já está instalado. Franca exige ações efetivas, soluções e resultados. Sob pena de os pontos positivos que o governo conquistou se apagarem em meio a tantas confusões.