08 de julho de 2026

Fim da euforia pós-eleição


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A Bolsa brasileira terminou o mês de novembro com ganho de quase 2,5% e muito perto dos 90 mil pontos, guiada pelo otimismo de investidores locais após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente enquanto estrangeiros deixavam o país. A moeda americana também se valorizou e se consolidou ao redor dos R$ 3,85 após intervenções do Banco Central no mercado. O Ibovespa, principal índice acionário do país, encerrou a sexta-feira em queda de 0,23%, a 89.504 pontos, após passar boa parte do pregão acima do patamar histórico de 90 mil pontos. Na máxima, o índice foi negociado a 90.245 pontos. O volume financeiro foi de R$ 19,6 bilhões, acima da média do mês. Em novembro, a valorização do índice foi conduzida por gestores de fundos locais, que voltaram a elevar suas aplicações em Bolsa apostando que a recuperação da economia brasileira e as reformas prometidas pelo governo Bolsonaro poderão garantir ganhos adicionais. Já os investidores estrangeiros resgataram recursos aplicados no país, o que ocorreu pelo segundo mês consecutivo. No ano, a saída de dinheiro estrangeiro chega a R$ 10 bilhões.

Há, porém, um recrudescimento no ambiente de risco no cenário externo, com o temor de um agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e o reflexo que essa queda de braço pode ter sobre a economia global, que dá sinais de desaceleração. As Bolsas americanas chegaram a zerar ganhos do ano no pior momento do mês, mas se firmaram no positivo. O pessimismo contagiou o mercado de matérias-primas, derrubando cotações do petróleo e minério. Quando o cenário para investimentos de risco fica mais adverso, operadores tendem a migrar recursos que estão aplicados em emergentes rumo aos Estados Unidos, mercado considerado mais seguro. Isso pode ser percebido nos movimentos marcados no gráfico do Ibovespa ao longo do mês.

Da mesma forma, o dólar voltou a subir ante o real no mês de novembro, fechando a R$ 3,8550. A valorização foi de 3,9%.De uma cesta de 24 divisas emergentes, o real foi a que mais perdeu valor ante a moeda americana no mês. Além do cenário externo ruim, o câmbio também foi pressionado por um movimento típico de fim de ano, quando empresas multinacionais enviam lucros para matrizes fora do país.

O Banco Central ofereceu leilões de venda de moeda com compromisso de recompra, medida que garante a oferta no mercado e reduz a pressão de alta. Mas, ainda nesta semana, a sinalização do Fed (Federal Reserve, o banco central do Estados Unidos) de que a taxa de juros americana já está próxima do nível ideal trouxe um sinal de alívio para o mercado e reduziu a pressão sobre o câmbio.

Os próximos passos do mercado financeiro serão baseados agora no resultado da reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder Xi Jinping, em Buenos Aires, durante encontro do G20. O Brasil, pós-eleição, não estará imune ao mundo.

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