A secretária municipal de Desenvolvimento, Flávia Lancha, pediu exoneração do cargo em caráter irrevogável nesta tarde. Ela comunicou a decisão ao próprio prefeito Gilson de Souza (DEM) em reunião realizada no gabinete. Pensamentos divergentes motivaram o pedido de demissão.
A relação entre a secretária e o prefeito já vinha em processo de desgaste desde o ano passado. Terceira colocada nas eleições para a Prefeitura, em 2016, Flávia apoiou Gilson no segundo turno e foi convidada para compor o governo e aceitou o desafio.
Mesmo na condição de secretária municipal, nunca escondeu o desejo de voltar as disputar as próximas eleições para a Prefeitura. Empresária bem sucedida e respeitada no setor cafeeiro, avalia que tem o perfil ideal para comandar o Executivo.
Pessoas próximas a Flávia afirmam que ela foi encostada no governo, pois estava aparecendo muito e consolidando sua imagem, o que era visto internamente como uma ameaça nas pretensões de reeleição do prefeito. Como exemplo, citam o fato de a secretária ter ficado fora da organização da Expoagro, evento que, tradicionalmente, é conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento e que possibilita grande visibilidade.
O descontentamento de Flávia com a situação era de conhecimento público no meio político. Sua saída do governo era tida como certa, restava apenas decidir o dia.
A data escolhida foi esta quinta-feira, 29 de novembro, e teve como gota d’água a decisão do prefeito de não ajudar financeiramente as pequenas empresas de Franca a participarem do estande coletivo na Couromoda em janeiro. Com a polêmica criada, Gilson voltou atrás e anunciou hoje que irá, sim, liberar os recursos, mas o episódio irritou a então secretária. “Trabalhamos muito com parcerias e eu havia me comprometido em setembro com os empresários que a verba iria ser liberada, mas ficou essa enrolação. No dia 20 de novembro, veio a informação de que o dinheiro não iria sair mais. Agora, falaram que vai sair. Não dá para trabalhar deste jeito”.
A empresária afirmou que divergências sobre prioridades foram o motivo que a levou a deixar o governo. “Não temos alinhamento na maneira de enxergar as coisas. Eu tenho uma visão de desenvolvimento para movimentar a economia e gerar emprego. O foco do prefeito é a saúde e a cultura, não está no desenvolvimento. Gostei muito do trabalho que fiz na Secretaria, mas por não ter condições de fazer melhor e do meu jeito, decidi sair”.