Além de julgar cerca de 30 ações penais em andamento, o juiz que assumir os trabalhos de Sergio Moro na 13ª Vara Federal do Paraná herdará uma série de atribuições e tarefas que podem mudar os rumos da Lava Jato. Entre as pendências e responsabilidades do novo juiz titular da operação estarão analisar ou rever benefícios a delatores com acordos já firmados, verificar pedidos dos investigadores a respeito de apurações em andamento e solucionar processos que se arrastam por causa de réus que estão no exterior. Também precisará decidir se mantém no Estado - ou na própria Vara Federal - investigações que não tenham vínculo direto com o núcleo das irregularidades descobertas na Lava Jato desde 2014, como crimes na Petrobras e desvios cometidos por empreiteiras. Neste ano, o juiz paranaense se viu sob uma ofensiva de advogados de defesa que tentaram tirar de seu comando procedimentos derivados de delações firmadas na Lava Jato. A exemplo de Moro, o novo juiz pode se ver obrigado a reivindicar a permanência desses processos.
Indicado ministro da Justiça do eleito Jair Bolsonaro, Moro ainda não deixou o cargo e oficialmente está em férias. Enquanto isso, as audiências e processos da Lava Jato permanecem com a juíza Gabriela Hardt, colega na mesma Vara Federal. Só após a exoneração, a Justiça Federal lançará um edital que poderá transferir para a vaga dele algum outro juiz do Sul do país. Se houver mais de um interessado, o critério de escolha será por antiguidade. Moro esteve à frente de 45 ações penais já sentenciadas e condenou em primeira instância mais de 140 réus. Cerca de dez alvos sem condenação em segunda instância estão em prisão preventiva (sem prazo) por ordem do juiz - medidas que podem ser revistas por um sucessor.Das 55 fases da Lava Jato no Paraná, 8 foram deflagradas neste ano. Ao menos cinco das etapas não viraram denúncias, ou seja, não geraram processos em tramitação na Justiça Federal até agora. O titular pode determinar o arquivamento ou autorizar prorrogações dessas investigações.
Outra definição que precisará ser dada pelo próximo titular da Lava Jato são desmembramentos de ações contra réus que estão no exterior. Ao longo da Lava Jato, o juiz manifestou que priorizaria processos de réus presos, e ações contra foragidos acabaram com escasso andamento. O dia a dia na Justiça Federal do Paraná inclui até a administração de bens confiscados por vínculos com crimes. Foi a partir de editais publicados por Moro que foram feitos leilões de parte de um hotel que pertencia ao doleiro Alberto Yousseff e do tríplex de Guarujá (SP) que originou a condenação de Lula.
Ao falar da administração de bens sequestrados pela Justiça, em palestra em 2015, ele disse: “Muitas vezes você não tem tempo nem de sentenciar, quanto mais para ficar cuidando dessas questões pequenas”. O futuro da árdua e complexa tarefa de enfrentar poderosos e a burocracia dependerá única e exclusivamente do “novo Moro”.
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