10 de julho de 2026

Preso por engano, pintor é solto após comprovar inocência


| Tempo de leitura: 3 min
A expressão no lugar errado, na hora errada, serve perfeitamente para definir a história vivida por Leandro Vilela Oliveira Garcia, de 26 anos. Ele ficou detido 17 horas.

A expressão no lugar errado, na hora errada, serve perfeitamente para definir a história vivida por Leandro Vilela Oliveira Garcia, de 26 anos. Ele ficou detido 17 horas sob a suspeita de integrar uma quadrilha especializada em roubar bancos. Mas Leandro era inocente. Com a ajuda das redes sociais, conseguiu comprovar que só estava no lugar errado, na hora errada.

Leandro nunca teve passagem pela polícia e trabalha como pintor automotivo em uma funilaria na vila Rezende. Ele viu sua vida começar a virar de cabeça para baixo às 8h30 de ontem, quando estava na oficina e recebeu uma ligação do patrão, que havia deixado Franca no dia anterior alegando que iria viajar. "Ele me ligou dizendo que o carro dele havia dado problema na estrada e pediu para que eu fosse buscá-lo".

Por volta das 11 horas, quando passava por uma rodovia nas proximidades de Frutal, no Triângulo Mineiro, próximo ao local indicado pelo patrão, ele foi parado em uma blitz da polícia. Havia agentes armados por todos os lados e o helicóptero Águia da PM dando voos rasantes. "Os policiais perguntaram o que eu estava fazendo por lá. Quando eu disse que fui buscar o meu patrão e falei o nome dele, recebi voz de prisão. Fui algemado e colocado na viatura".

O patrão de Leandro é Elton Cabral Leonel, que havia sido preso em flagrante pouco antes acusado de ter participado do ataque, de madrugada, às agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de Frutal. Elton tem várias passagens pela polícia. Dois assaltantes, sendo um de Franca, e uma comerciante morreram durante o roubo. “Eu fiquei muito assustado, pois não sabia o que estava acontecendo. Não sabia do assalto. Foram os policiais que me contaram”.

Leandro foi levado para a delegacia de Frutal e, depois, para a Polícia Federal em Uberaba. Ficou sozinho em uma cela até às 4 horas da madrugada desta sexta-feira. A inocência dele começou a ser comprovada a partir do momento em que os policiais compararam o seu depoimento com o de Elton. Embora não tenham se falado após a prisão, deram a mesma versão. As redes sociais também deram uma ajuda providencial. “Na hora do assalto em Frutal, eu estava comemorando o aniversário de minha avó em um restaurante mexicano da avenida Paulo VI em Franca. Por sorte, eu postei as fotos no mesmo horário”.

Por fim, os policiais confirmaram com testemunhas que às 8 horas de ontem Leandro estava na oficina em que trabalha. Comprovada sua inocência, ele foi liberado às 4 horas de hoje e retornou no próprio carro para Franca. “Foi um alívio muito grande, pois sei o quanto é difícil comprovar a inocência. Eu pensava muito na minha família. Seria uma decepção muito grande para eles pensar que eu seria bandido. Corri o risco de levar tiros quando passava pela blitz. Eu contribuí com os policiais e eles foram muito corretos comigo”.

Leandro conta que teve um rápido contato com o patrão na delegacia. “Ele me pediu desculpas por ter me colocado nesta situação. Não acredito que ele fez isto querendo me prejudicar. Acho que ele estava tentando se salvar. Não sabia que ele tinha envolvimento com o crime”.

Após passar 17 horas preso injustamente, Leandro definiu o que é a liberdade. “Não tem como explicar a sensação de poder chegar em casa e ver a família, abraçar as pessoas que você ama. Sempre trabalhei e nunca tive problemas com a polícia. Graças a Deus, sou honesto. Estava, totalmente, no lugar errado e na hora errada”.