09 de julho de 2026

Represa transborda e Castelinho fica debaixo d'água


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Lama e sujeira na área das quadras de tênis do Castelinho, na tarde dessa segunda-feira

A chuva que caiu sobre Franca no último domingo reascendeu a preocupação com o estado de conservação da Represa do Castelinho, que é um importante instrumento para evitar alagamentos em outros pontos da cidade, como as avenidas Ismael Alonso y Alonso e Antônio Barbosa Filho.

Mesmo com a chuva não sendo das mais fortes, a represa transbordou, alagando vários pontos do clube, entre eles, o parque infantil, campos, pista de caminhada e quadras esportivas. “Nunca vi acontecer o que houve no domingo. Foi tudo muito rápido. Em pouco tempo de chuva, já estava tudo alagado”, disse Celso Donizete Modesto, gerente de manutenção do clube.

Segundo ele, o problema é que a represa nunca esteve tão assoreada. “O último desassoreamento aconteceu há uns dez anos. De lá pra cá, a represa só vem acumulando terra e entulhos, que são trazidos pelas enxurradas e pelos córregos. Ela está no seu limite. Hoje tem apenas um terço da capacidade de seu armazenamento.”

A preocupação maior é que o período de chuvas de verão ainda nem começou. “Se com uma chuva como a de domingo que nem foi tão forte já aconteceu isso, imagina quando começarem os grandes temporais”, disse Esilton Tavares, gerente administrativo do Castelinho.

Ontem o dia foi dedicado à limpeza e retirada de entulhos. “Estamos com oito funcionários trabalhando o dia todo para a limpeza das áreas atingidas. Mas será um trabalho longo. Devemos levar uns oito dias até deixar tudo como estava antes. Isso se não houver novos temporais”, disse Celso.

De acordo com Esilton, a única solução para acabar com as enchentes seria o desassoreamento da represa, mas o serviço é muito caro e o clube não tem como arcar com os custos sozinho. “O último levantamento que fizemos apontou que seriam necessários R$ 1 milhão. Não temos esse recurso. Já pedimos ajuda ao município e avisamos o Ministério Público.”

 

Na Justiça

Em dezembro do ano passado, o promotor de Justiça Fernando de Andrade Martins ingressou com uma ação judicial para obrigar o município de Franca a custear as obras de desassoreamento da represa.

Segundo o promotor, como a represa serve para regular o regime de cheias para controle de enchentes e alagamentos das áreas urbanas, seria urgente a adoção de medidas. A ação ainda não foi julgada.

Procurada ontem, a Prefeitura informou que tomou conhecimento de alguns problemas causados na represa em razão das chuvas, mas que, “de momento, está impedida de qualquer ação no local por se tratar de um clube particular”.