09 de julho de 2026

Professora mostra um novo olhar sobre os índios


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O último dia 25 de outubro tornou-se inesquecível para os alunos do 1º ano da Escola Municipal "Vanda Thereza de Senne Badaro"

O último dia 25 de outubro tornou-se inesquecível para os alunos do 1º ano da Escola Municipal “Vanda Thereza de Senne Badaro”. Eles aguardavam há dois meses a resposta a cartas que haviam escrito para índios da tribo Guarani Kaiowa, que vivem na aldeia Tey Kue. Esta aldeia fica na reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Os 25 alunos abriram as primeiras cartas num misto de curiosidade, ansiedade e alegria. 

Uma experiência enriquecedora

O projeto de aproximação dos alunos de Franca com os índios da tribo Guarani Kaiowa, surgiu de uma ideia da professora Jaqueline Fernanda de Jesus Gomes Ajeje. Durante suas férias em Dourados, no final de ano, ela teve contato com os índios. “Eu os vi na rua e achei muito curioso. Na hora, pensei nos meus alunos e no quanto poderia ser enriquecedora essa aproximação”.

Ainda durante sua viagem, Jaqueline começou os primeiros contatos junto à Prefeitura de Caarapó, cidade próxima a Dourados. “Queria saber como obter autorização para falar com os índigenas. E saber se gostariam deste contato com as crianças de Franca. Falei com muita gente, enviei documentos, propostas, projetos. Até que em julho finalmente obtive autorização”.

Jaqueline pediu que cada um de seus 25 alunos escrevesse um bilhete com uma pergunta a respeito das crianças que vivem na aldeia indígena. “Eles perguntaram coisas curiosas. Se, por exemplo, tinham time de futebol, quem era o presidente da aldeia, como faziam quando estavam doentes, se tinham internet e como se comunicavam .”

As cartas-bilhete foram enviadas . Em 23 de agosto, postadas. “Eu levei um susto porque demoraram muito para chegar lá. Achei até que tinham extraviado. Mas não.”

Na aldeia, as crianças indígenas que são alfabetizadas em duas escolas receberam os bilhetes. E responderam com vídeos, fotos e mandaram um desenho para cada colega francano. Todo material de resposta chegou à escola em setembro. “Eu nem acreditei. Mas quis fazer uma cerimônia com a presença dos pais e de outros professores para a abertura, que aconteceu na quinta-feira”, disse a professora.

Jaqueline conta que foi uma verdadeira festa. “Foi incrivel ver a carinha das crianças descobrindo outra cultura, assistindo aos vídeos. Foi muito enriquecedor”.

Davi Luiz Souza e Luiz Cândido, ambos de 7 anos, estavam empolgados. Nos bilhetes encaminhados, a curiosidade de Davi era saber como os índios faziam para tomar banho em dias de frio ou chuva. Já Luiz queria saber como era a escola dos indiozinhos. “Estamos muito felizes porque agora temos amigos índios”, disseram.

Segundo Jaqueline, o projeto ajudou as crianças a desenvolver a leitura, a escrita e ainda o interesse pela cultura brasileira. “Vamos continuar com a correspondência. Quem quem sabe um dia consigamos conhecer a aldeia e os amigos índios pessoalmente?”