10 de julho de 2026

Família Acolhedora completa 20 anos ajudando mudar vidas


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Valéria e Ronaldo Rogério fazem parte do programa Famílias Acolhedoras desde seu início

Em 1998, o casal Ronaldo Rogério e Valéria já acolhiam há anos crianças que haviam sido vítimas de violência ou abandono por parte de suas famílias de origem e não tinham a quem recorrer. Naquele ano, o trabalho que até então era feito de maneira informal passou a ser regulamentado e legalizado com a criação do Programa Municipal de Famílias Acolhedoras.

De lá para cá 20 anos se passaram, mas o amor incondicional que Ronaldo e Valéria e centenas de outras famílias francanas oferecem a crianças e adolescentes vitimizados continua o mesmo. “Essa é nossa missão. É nossa vida. Não me imagino fazendo outra coisa”, disse Valéria. Ela acabou largando a profissão de recepcionista para poder se dedicar em tempo integral ao programa.

Na última quarta-feira, a Prefeitura reuniu autoridades, profissionais, famílias, jovens e crianças para comemorar os 20 anos do Família Acolhedora. Entre os presentes, estava o juiz da Infância e Juventude, José Rodrigues Arimatea. “Eu estava chegando a Franca em 1998 e um dos primeiros pedidos que recebi foi das assistentes sociais do Fórum para que eu ajudasse a estruturar melhor o Família Acolhedora. Não tinha ideia direito do que era e fui conhecer. Me encantei com a doação de amor dessas famílias e é um orgulho estar aqui 20 anos depois e poder dizer a todos que muitas vidas foram afetadas por esse amor”.

Hoje, o programa conta com cerca de 15 famílias por ano que acolhem em média 25 crianças. “Durante os 20 anos de existência do programa, foram mais de 500 crianças acolhidas por essas famílias”, disse Eliete Neves, coordenadora do Família Acolhedora.

Eliete explica que o programa atende crianças com idades entre zero e três anos que, por motivos diversos, precisaram ser protegidas e retiradas de seus pais. As famílias, que passam por um rigoroso cadastro e recebem treinamento, passam a ser as responsáveis pelas crianças por tempo indeterminado até que a situação jurídica delas seja resolvida - seja retornando aos lares de origem ou para adoção. “Com as famílias, as crianças recebem amor, educação, têm sua vida registrada em fotos e relatórios de acompanhamento”, disse Eliete.

Para as famílias, a recompensa é saber que fizeram diferença na vida dessas crianças. “Não recebemos salário ou qualquer outro benefício. O trabalho é voluntário. Há apenas uma ajuda de custo para os gastos da criança com remédios e roupas, por exemplo. O que ganhamos, na verdade, é algo que não tem preço: a satisfação de fazer o bem, de dar e receber amor”, conta Valéria.


Família Acolhedora: uma doação de amor incondicional

As famílias acolhedoras são pessoas ou famílias propriamente ditas que se inscrevem no programa para acolher crianças e adolescente vitimizados. Pode se inscrever qualquer pessoa, maior de 21 anos, interessada em oferecer, mesmo que temporariamente, proteção e amparo às crianças e aos adolescentes em situação de ameaça e violação de direitos, afastados de suas famílias.

A inscrição é gratuita e feita na Secretaria de Ação Social. São exigidos carteira de identidade, certidão de nascimento ou casamento, CPF, comprovante atualizado de residência e comprovante atualizado de renda, todos com cópia. Os interessados não podem ter antecedentes criminais e precisam apresentar atestado de saúde física e mental.

Depois de selecionadas, as famílias passam por um curso de capacitação e são avaliadas psicossocialmente e instruídas sobre critérios, condições e normas do serviço. Só então se tornam aptas a receber crianças.

O trabalho como família acolhedora é voluntário. Não há pagamento de salário. As famílias recebem apenas uma ajuda de custo para pagar os gastos da criança acolhida com roupas, remédios e outros serviços. Vale lembrar que as famílias que acolhem as crianças não podem adotar.