Neste domingo, 4, milhares de estudantes prestarão a primeira etapa do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). No primeiro dia aqueles que prestarão o exame responderão questão de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da Redação, uma das partes mais importantes do exame. No outro domingo, 11, será a vez das questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e também de Matemática e suas Tecnologias. E, para ajudá-los a se saírem bem no exame que serve como porta de entrada para diversas universidades do país, a reportagem do Comércio conversou com dois alunos que tiraram nota mil na redação em edições anteriores do exame.
Para a estudante Érica Pereira Batista, de 29 anos, que tirou nota mil em 2016, quando o tema foi intolerância religiosa, e no ano passado alcançou a nota 960, o hábito constante da leitura, pesquisas e treinar a escrita estão entre os pontos principais para se sair bem na redação do Enem.
“Uma redação boa é fruto de um longo preparo, com leitura que envolva temas diversos e opiniões críticas acerca dos problemas sociais. Além disso, é muito importante fugir do senso comum e buscar uma profundidade no que se refere ao posicionamento crítico usado para defender a tese. Por essa razão, o hábito da leitura ajuda muito no preparo”, disse Érica Batista.
“Também é muito importante ser direto, ter clareza e lógica na organização das ideias, bem como revisar as questões gramaticais antes de passar a redação para a folha oficial, a fim de evitar erros que podem passar despercebidos. O texto deve seguir uma lógica do começo ao fim, buscando entrelaçar as ideias de forma coerente”, completou.
Nota mil em duas edições do Enem, em 2015, quando o tema era a violência contra a mulher, e também em 2016, assim como Érica, Ana Julia Pereira de Paula, de 22 anos, hoje cursa medicina na PUC (Pontifícia Universidade Católica), em Curitiba, no Paraná. “É preciso muita leitura, dedicação e foco. A primeira, porque a pessoa consegue ampliar o vocabulário, conhecer vários tipos de linguagem e se inspirar, gostar de ler é essencial e praticar a escrita de forma constante também. E no caso da dedicação e do foco, esses são ingredientes essenciais para qualquer conquista e sem eles é impossível um resultado positivo”, disse a nota mil.
As duas estudantes ainda afirmam preferir fazer a redação antes de responder as outras questões do exame. “Eu sempre faço a redação antes da prova. Acho que é importante, pois estamos mais descansados. No final da prova, estamos muito cansados e isso atrapalharia muito o desenvolvimento do raciocínio lógico, podendo resultar em erros por falta de atenção”, disse Érica Batista, que neste ano prestará o Enem mais uma vez.
Para os últimos dias, elas indicam descanso, leituras mais leves e conter a ansiedade. “Acho que agora, com poucos dias para a prova, que é cansativa e baseada em tempo, é hora de descansar, ler coisas legais, ver bons filmes e chegar tranquila na prova. Se for revisar alguma coisa, que seja leve”, explicou Ana Julia, que afirmou ainda que é preciso ter calma para fazer a redação.
As alunas nota mil, que intensificaram seus estudos na 100% Redação, reforçaram ainda que no caso da redação do Enem o poder de argumentação é um dos quesitos mais importantes, além da conclusão que propõe um raciocínio de intervenção perante aos temas do exame, que na maioria das vezes, está diretamente ligado a questões sociais.
Últimos dias são para revisão
Na unidade de Franca da 100% Redação centenas de estudantes se preparam desde fevereiro para a temida redação. São ao menos três horas por semana de estudo específico, além do reforço nesta reta final, que conta com plantões até nos feriados. “Trabalhamos interpretação de texto, argumentação, língua portuguesa no geral, mas também história, filosofia, antropologia e sociologia. A argumentação é um ponto fundamental na redação do Enem”, disse Regiane Pedigone, proprietária e professora da 100% redação, que aposta em temas neutros, como drogas, gravidez na adolescência, meio ambiente ou até DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) para a prova.
Na escola Toulouse-Lautrec, os alunos reforçaram os estudos durante todo o mês de outubro. Além de uma parte das aulas normais serem focadas na prova, foram realizadas ainda aulas extras no período noturno. “Assim como é o Enem, focamos as aulas extras com o mesmo recorte da prova, em linguagens, códigos e tecnologias, ciências humanas e da natureza, matemática e redação. Foram no total sete encontros com professores da escola e tudo o que foi discutido estava focado nas provas”, explicou o coordenador do Ensino Médio e professor de literatura Alexandre Cauchick Falleiros.
Prestando o Enem pela quinta vez, Mateus da Silva Ponde, que busca uma vaga em medicina, nos últimos dias gosta de revisar as matérias em que tem mais dificuldade. “Na véspera eu gosto de descansar, dormir mais cedo, chegar com antecedência no dia da prova e estar mais tranquilo. O estudo é resultado de todo o ano e se desesperar nesta fase não vai ajudar e sim atrapalhar o resultado”, disse.