Quanto barulho, quanta poeira no meu cobertor, minhas pernas tremem de espasmo, meu sorriso cheira a guardado, depois de algumas noites sem dor.
Minha visão embaçada molha meu peito, outrora em chamas.
Vasculho minhas gavetas à procura de um abrigo, mas onde está o meu compromisso com a solidão?
Quanta ironia, meus sentidos estão devastados, minha alma desconsolada ajeita-se num pequeno espaço no chão, ao lado de um ser completamente insignificante, um inseto.
Eis meu quarto escuro, um pesar necessário da vida, um abismo que faz curva para a subida, a plenitude de uma noite tenebrosa que se revela no clarão cintilante do outro dia.
A possibilidade de uma flor no meio do caminho, depois da pedra, depois do espinho.