08 de julho de 2026

Escola, apelido e lembranças


| Tempo de leitura: 2 min

Em pé, com as costas na parede do mercadinho de um amigo, observo os carros que cruzam a interseção das ruas a minha frente. Um desvia do buraco, o outro não obedece ao ‘pare’, o que sobe abusa da buzina, os dois se xingam e a vida segue. Meus amigos conversam. Ouço tudo com uma atenção distanciada. De dentro de um carro me vem um grito seco e cheio de vogais: “Ô Cunha”. Cunha é o meu nome do meio e também meu apelido de escola. Alvo de trocadilhos inimagináveis,  tive a sorte, graças ao desencontro de épocas, de não ter meu nome conexo ao do tinhoso deputado. Embora sem nenhuma ligação, seria pior ouvir que ele era meu parente do que a canção que dizia que eu coçava o orifício excretor com a unha. Crianças! Mas, confesso, mais incomodei do que fui incomodado.