Algumas pessoas formadoras de opinião têm o péssimo hábito de rotular os outros, em razão de suas convicções política, religiosa e ideológica. Se alguém é a favor de uma economia liberal, menor carga tributária, menos intervenção do Estado na economia, como ocorre na Venezuela, legislação trabalhista que não engesse a relação entre patrão e empregado, contrária ao aborto, que pregue a formação da família em bases Cristãs, logo é tida por muitos como sendo de direita, reacionário, contrário às minorias e até homofóbico.
Esquecem, no entanto, que a melhor forma de proteger a pessoa é lhe dando condições de trabalho, com salário justo, que lhe permita prover a sua subsistência e de sua família, com o suor do seu rosto. Pois assistencialismo demagógico por parte do Estado, dando o peixe ao invés de ensinar a pescar, não é o ideal, pois como disse Luiz Gonzaga, “dar esmola a quem é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.
Não se pode taxar de retrógrado, aquele que defende crescimento sustentável, boa relação entre o capital e o trabalho e investimentos em infraestrutura, para amenizar o sofrimento de 12 milhões de desempregados que, diariamente, saem de suas residências para encontrar colocação, pela manhã e retornam, desalentados, após o pôr do sol.
Reconhece-se que homofobia é conduta condenável. Porém muitos que hoje se mostram indignados com ela, esquecem que no passado foram, em algum momento, arautos dela. À guisa de exemplo, convido ouvirem a música, “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque. Ele um expoente da MPB e, também, cidadão que merece respeito pelas suas posições políticas e ideológicas. Após ouvir, faça o seu julgamento isento, posso estar equivocado, pois não sou dono da verdade.
Devemos parar com esse maniqueísmo. Se é de centro-direita é retrógrado. Se de centro-esquerda, progressista, pois “o vento que venta cá, venta ou já ventou lá”. Nada como um dia depois do outro, mesmo porque, felizmente, com o tempo amadurecemos, pois ele – o tempo – é o senhor da razão, por isso não devemos condenar eternamente condutas equivocadas do passado.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca