Enquanto os brasileiros focam suas atenções no futuro governo, a praticamente 10 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o atual chefe do Executivo nacional luta para dar uma sobrevida ao seu moribundo governo. Em sua última participação na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nessa terça-feira, em Nova York (Estados Unidos), Michel Temer (MDB), talvez empolgado pela importância do encontro que reúne líderes do mundo todo, encorajou-se a vestir a figura de “estadista”. Abriu a reunião - como manda a tradição, é o presidente brasileiro que lidera os discursos - pregando a união entre as nações, refutando o unilateralismo. E, ainda em terras norte-americanas, traçou metas para os últimos meses de sua permanência à frente do Palácio do Planalto. Em entrevista à EBC - empresa estatal de comunicação -, Temer admitiu suspender, provisoriamente ou definitivamente, a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro para votar a reforma da Previdência ainda este ano. Seria um último suspiro, antes do fim.
Temer discursou seis minutos a mais que o previsto. Foram 21 minutos, em que criticou “recaídas unilaterais” e a intolerância. “Reavivam-se velhas intolerâncias. As recaídas unilaterais são cada vez menos a exceção. O isolamento pode até dar uma falsa sensação de segurança. O protecionismo pode até soar sedutor. Mas é com abertura e integração que alcançamos a concórdia, o crescimento, o progresso. Temos que permanecer coesos em torno desta obra coletiva que é erguer um mundo em que predominem a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. Nada conseguiremos sozinhos”, defendeu Temer. Reforçou ainda que o Brasil é uma “democracia vibrante, lastreada em instituições sólidas”. É bem provável que seus colegas, presentes na Assembleia Geral, tenham o ouvido. Mas é praticamente improvável que suas falas surtam efeito no mundo e, muito menos, ressoem entre os brasileiros, que conferiram ao emedebista o título de presidente com maior rejeição desde a redemocratização do Brasil. Há que se destacar que neste período dois presidentes - Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff - foram limados do poder e, mesmo assim, não eram tão impopulares como Temer.
A pompa da reunião nos Estados Unidos parece ter empolgado o impopular presidente a usar dessa mesma característica para ressuscitar também impopular medida: a Reforma da Previdência. Temer afirma estudar o fim da intervenção no Rio para que o Congresso possa votar a Proposta de Emenda Constitucional, já que a Carta Magna não pode ser alterada quando intervenções estão em curso no país.
A depender de quem vença as eleições, Temer fará um favor. Já que a Reforma urge e pode se tornar em desgaste ao futuro presidente. Enfrentá-la num momento em que será um verdadeiro zumbi, o emedebista não sofrerá abalo algum. Para ele, não haverá mais nada a perder.
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