O candidato a deputado federal Alexis Junnior (PSL) protocolou ontem uma denúncia contra pesquisa eleitoral divulgada, semana passada, pela Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca). Alexis aponta uma suposta fraude na realização das entrevistas que embasaram os resultados.
A denúncia foi protocolada no Ministério Público Eleitoral e recebida pelo promotor de Justiça Ivan Nascimento Castro, que deve analisar os termos nesta quarta-feira e decidir se abrirá investigação. “Passei o dia em audiências. Ainda não pude analisar os termos da denúncia. Mas o farei assim que possível.”
A denúncia é acompanhada de um parecer técnico assinado por Raphael Ferreira de Barros Filho, diretor-executivo da Datalink, empresa especializada na realização de pesquisas. Raphael disse que analisou os documentos registrados na Justiça Eleitoral pelo Instituto de Economia da Acif. “Eu já havia alertado sobre alguns problemas na metodologia de trabalho. Mas não levaram em consideração.”
Alexis disse que contratou Raphael depois de receber diversas denúncias de que seu nome não constaria da pesquisa. “Recebi no meu celular gravações que afirmavam que meu nome não estava na pesquisa. Desconfiei e resolvi levar o Raphael na apresentação da Acif, na semana passada. Lá, ele identificou diversas irregularidades, que depois foram comprovadas e fazem parte do parecer que entreguei ao promotor.”
No parecer, Raphael afirma que a pesquisa da Acif não seguiu os protocolos exigidos por lei e registrados pela própria Associação na Justiça Eleitoral. Segundo o especialista, a legislação exige que para pesquisas estimuladas (quando os candidatos são apresentados aos eleitores) sejam incluídos todos os nomes de candidatos, independentemente do cargo ao qual concorrem. “A Acif fez a pesquisa para deputado estadual e federal. São 1,6 mil candidatos de um e 2,3 mil de outro. Quase quatro mil nomes a serem citados aos eleitores ouvidos na pesquisa.”
O problema é que, para que o eleitor pudesse ler todos os nomes, como a lei exige, segundo Raphael, seriam necessários mais de 5 horas. “Eu cronometrei o tempo de leitura dos dois cadernos com os nomes dos candidatos que teriam sido lidos na pesquisa e o resultado foi um tempo absurdo, que inviabilizaria qualquer entrevista”, disse.
Além disso, diz Raphael, na lista com os nomes de candidatos, os primeiros a aparecer seriam os francanos. “Isso é manipulação. Não pode haver esse tipo de discriminação em uma pesquisa, ainda mais quando se trata de algo eleitoral.”
Acif nega qualquer irregularidade
A Acif negou ontem qualquer irregularidade ou manipulação dos dados e resultados da pesquisa. Em nota emitida pelo Departamento Jurídico da Associação, informa que ainda não tem conhecimento da denúncia ao Ministério Público.
Ainda na nota, a Acif afirma que há duas impugnações da pesquisa já distribuídas à Justiça Eleitoral, mas que, até o presente momento, não houve qualquer decisão judicial que impedisse a publicação do resultado da pesquisa ou a declarasse nula por qualquer motivo.
A associação ainda garantiu que foram cumpridos todos os requisitos legais para a realização e divulgação da pesquisa.
A Acif se colocou à disposição para colaborar, caso haja alguma apuração dos órgãos competentes a respeito da denúncia.
“A Acif está sempre apta a colaborar, ressaltando, ainda, que não permitirá a violação de sua imagem de forma arbitrária e injusta, levando, se for o caso, às últimas instâncias para assegurar o direito à indenização pelos danos materiais e morais causados”, finalizou, na nota.