As campanhas eleitorais entram nesta semana no período nevrálgico na corrida pela preferência dos mais de 147 milhões brasileiros aptos a votar no próximo dia 7 de outubro. Especialistas apontam que cerca de 35% dos eleitores definem suas escolhas nas últimas duas semanas que antecedem o pleito. O contingente é suficiente para mudar qualquer quadro apontado pelas pesquisas até agora. Mas, é necessário deixar claro que os levantamentos mostram o cenário do momento em que foram feitos e, mais que apontar posições, expõem a tendência de movimento dos eleitores. Os candidatos que aparecem atrás nas pesquisas se apegam a essa característica do eleitorado brasileiro para apostarem numa virada. Já os líderes lutam para manterem fiéis aqueles cidadãos que anunciaram a intenção de elegê-los. O Brasil deve assistir, a partir de agora, um acirramento na disputa, com ataques entre os candidatos, na tentativa de desconstrução, principalmente, dos líderes das pesquisas.
Analistas políticos e especialistas em pesquisas eleitorais avaliam que os brasileiros desistiram de votar em seu candidato preferido. Partiram do “melhor” para o “menos pior”. A expectativa é de que os eleitores irão às urnas daqui a menos de duas semanas para votar contra, e não a favor. Votarão naquele candidato que acreditam ser capaz de derrotar o presidenciável que se opõe completamente a seus ideais e anseios, mesmo que o escolhido também vá contra - neste caso, em menor intensidade - às suas crenças e desejos. É o chamado “voto útil”. Este fenômeno é mais comum nas disputas de segundo turno. Mas, neste controverso 2018, os brasileiros - feridos pela crise, decorrente, em grande parte, da classe política - anteciparam uma eventual segunda votação. Tentam, quase que irracionalmente, evitar que a tragédia política e econômica se agrave ainda mais.
Alicerçadas nesse aspecto que domina a corrida ao Palácio do Planalto neste ano, as campanhas devem partir para o tudo ou nada, principalmente, as dos candidatos que aparecem no meio das pesquisas e que não evoluem. Falta muito pouco tempo para a votação. Mas não é impossível - apesar de ser muito difícil - reverter o quadro apontado pelos institutos de pesquisas eleitorais.
A polarização deste pleito não é boa para o Brasil, uma vez que o “menos pior”, independentemente em qual extremo esteja, pode se revelar - após eleito - ser o “pior”. Aí será tarde demais. A oportunidade de a população mudar sua realidade é, justamente, nas eleições. Ao abrir mão de suas convicções para tentar evitar a vitória deste ou daquele candidato, o eleitor abdica-se do direto sagrado que a democracia lhe reserva: o voto.
Os brasileiros, há até pouco tempo, apostavam nestas eleições como uma oportunidade de mudança. Hoje, porém, dão mostras de que a maior preocupação é não voltar ao fundo do poço. E pode estar aí o maior perigo.
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