Chega um momento que não dá para adiar mais nada.
Não dá para esperar o momento certo, a hora mais oportuna. A vida urge. Bate à sua porta, arromba sua janela. Grita no recôndito da sua alma, esbraveja na esquina da sua vida. Chega um momento que é agora ou nunca, tudo ou nada, ou seja, a tão almejada felicidade não espera, pelo contrário, ela te escapa entre os dedos, mesmo porque é da sua natureza ser fugaz e ambígua.
E chega um tempo que percebemos o quão forte estamos para enfrentar aquelas questões que se fossem antes, com certeza fraquejaríamos.
O quanto aquela dor maior tornou-se repentinamente suportável e até administrável.
Chega um tempo que estamos prontos para partir, deixar fluir ou mesmo deixar seguir.
Neste tempo, percebemos o quanto trilhamos aquele deserto, de como amargamos cansados aqueles caminhos, principalmente com sede de compreensão.
Chega um tempo que toda situação que se assemelhava a uma fera insana, repentinamente transforma-se num gatinho doce, que ainda pode te arranhar, mas também já não te morde tão vorazmente.
Chega esse tempo, o tempo da aceitação do inexorável da vida e do perdão consciente. E chega o tempo que ficamos plenos da certeza de que somos apenas passageiros, nesta viagem de autoconhecimento e redenção.