Hoje, dia 13 de Julho, o mundo festeja o Dia do Rock, um dos gêneros mais importantes da música, e que talvez se diferencie de todos os outros por não ser um simples estilo musical, masum estilo de vida com ideais e várias tribos dentro do mesmo segmento.
Porém, ao longo dos anos, o Rock sofreu grandes mudanças e hoje em dia não tem tanto espaço como já teve nos anos 70, 80 e 90. Em Franca, cidade onde o sertanejo predomina, o cenário sempre esteve vivo, com muitas bandas na ativa e vários lugares e eventos, a diferença é que não tem tanta divulgação e interesse de contratantes para que as bandas possam realmente se tornarem profissionais da música, de acordo com os entrevistados pelo Comércio da Franca.
Com o fechamento do CDA Motorocker Bar, em 2016, principal bar de rock da cidade, os espaços ficaram escassos e os “Roqueiros de Franca” tiveram que achar outras maneiras para poderem realizar eventos para suas bandas e até mesmo para curtirem o bom e velho Rock and Roll.
“Foram quase sete anos com o bar. O motivo de fechá-lo foi financeiramente mesmo, os valores subiram em meio à crise e não tive um retorno. O rock não tem ibope hoje em dia, fazemos o Rock’n Help todo ano, que é um evento beneficente e conta com várias bandas e não temos o respaldo da Secretária de Cultura. Na cidade de Araraquara, por exemplo, será realizado o Araraquara Rock esse fim de semana, bancado pela prefeitura e virão bandas conhecidas internacionalmente como Angra e várias outras,” disse William Fontelas, idealizador do Rock’n Help e antigo dono do CDA Motorocker Bar.
A união das bandas e dos fãs de rock está sendo de grande importância para manter a cena viva na cidade. O Chilli’s Rock, por exemplo, acontece todos os domingos no Chillis’s Bar com o objetivo de dar espaço a bandas que estão a fim de mostrar seu trabalho. Segundo um dos organizadores, Gustavo Mesquita, os donos de casas de shows precisam dar mais espaço para as bandas de dentro da cidade. “Vários lugares nós vemos que os contratantes preferem trazer bandas de outras cidades, sendo que em Franca tem muita banda de qualidade‘.
Outro evento que contribui bastante para o rock francano é a Rocklândia, evento que acontece praticamente uma vez por mês e que não visa lucro nenhum, tem como intuito apenas fortalecer o estilo. ‘Após o fechamento de várias casas percebi que não tinha muito espaço para o rock e, então, a Rocklândia surgiu para que pudéssemos ressuscitar o público e também as bandas, cobrando apenas um valor simbólico para cobrir os gastos e pagar as bandas que se apresentam”, disse Gabriel Augusto, fundador do evento.
SOM COVER X AUTORAL
Um dilema que frequenta o ambiente das bandas é o som cover e o som autoral. Várias bandas se formam apenas para fazer um show de tributo a grandes músicos de renome nacional e internacional, já outras preferem criar composições próprias e entrar no estúdio para gravarem suas músicas. Com a dificuldade encontrada pelas bandas autorais, a opção é fazer o cover para levantar um dinheiro para poder gravar o som autoral posteriormente.
Para Caio Garcia, guitarrista das bandas Sex Magik (cover do Red Hot Chilli Pepers) e da banda autoral Ponto Dois, é possível administrar os dois lados. “É compreensível que quando tocamos com a Sex Magik o evento venha a ser bem sucedido, pois é uma banda com uma base de fãs enorme. Porém, quando trabalhamos com a nossa banda autoral, o carinho é diferente, pois se trata da sua criação, das suas letras e das suas vivências.”
Outro fator fundamental para a falta de espaço para as bandas, segundo os entrevistas, é a falta de interesse de crianças e jovens em escutar rock, comprar uma guitarra e querer montar uma banda. “Atualmente outros estilos estão em alta, o hip hop, funk e sertanejo estão fazendo mais a cabeça dos jovens. Antigamente o sonho de qualquer criança era ter uma guitarra, hoje em dia se vende muito mais violas caipiras do que o instrumento elétrico”, disse Cléber Rocholli, produtor musical e vendedor de instrumentos há mais de 20 anos. Como produtor, Cleber diz que as bandas tiram dinheiro do próprio bolso para gravar sem ter a certeza de retorno no futuro. “Várias bandas me procuram para poder realizar o sonho de gravar seu som e muitas vezes, infelizmente, não têm um retorno financeiro legal. Investem pesado em equipamentos e não têm o devido reconhecimento”.
AMOR À MÚSICA
Bandas como Isca Live e Uncle Trucker tentam se manter em meio às dificuldades e o amor pela música. A primeira está na estrada há pouco mais de dois anos, gravaram dois EP’S e possuem dois videoclipes. Segundo Maik Fernando, vocalista e guitarrista da Isca Live, é preciso saber o momento certo de investir e de encarar a dura realidade do cenário do rock em Franca. “Investimos pesado quando começamos para poder ter nosso material e contamos com a ajuda de várias pessoas que acreditaram na banda. Queríamos fazer algo diferente na cidade e ficamos muito felizes com o resultado, porém, infelizment,e não podemos nos dedicar completamente a isso, pois precisamos trabalhar e estudar e levar uma vida paralela a banda, já que não conseguimos viver profissionalmente de música”.
Para Daniel Aleixo, vocalista da banda Uncle Trucker, que está na ativa há mais de 10 anos, é de grande importância as bandas se unirem para conquistar cada vez mais espaço. “Sinceramente acho que o rock and roll tem vida longa. Os shows de bandas grandes lotam estádios ainda hoje. Estamos numa região que consome música sertaneja, funk e afins. O underground do rock and roll deveria se unir. Eventos são trazidos para Franca e poucas pessoas vão. Isso não pode nos abater.”
Para comemorar o Dia Mundial do Rock e mostrar que ele está cada vez mais vivo, hoje teremos vários eventos. O Pub Zé Brasil (Avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso, 830 - Jardim Veneza) traz os shows das bandas Foo Fighters Cover Franca, Sex Magik (Cover Red Hot Chili Pepers) e a banda Alldacia Rock, tocando o melhor do Rock Nacional.. A entrada esta sendo vendida a R$ 15.
A Cervejaria Rural (Av. Dr. Flávio Rocha, 4721 - Parque Moema) terá a apresentação de Tiago Vioto, fazendo um especial Bob Dylan e outros grandes sucessos dos anos 60, 70 e 80. Não será cobrada entrada.
VEJA OS CLIPES DAS BANDAS FRANCANAS: