17 de março de 2026

'Poliamor'


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Está na mídia. Em alguns países europeus e nos Estados Unidos, já se adota uma forma de união pluralizada. Mesmo casada, a pessoa pode estabelecer novos relacionamentos, independente de orientação e morfologia sexuais, sem qualquer constrangimento, sem prejuízo para o relacionamento antigo e sem admitir qualquer vínculo documental. É o que chamam “Poliamor”, no que parece empenhado esforço por sugerir que ninguém está preso a ninguém.

Ocorre que, pela natureza libertária das uniões, vê-se, claramente, que, de amor, não há nada. Obviamente que é indefensável o “amor” que aprisione, que escravize. Salvo quando há necessidade de aguardar o reequilíbrio de uma das partes, não se há de admitir preponderância de um sobre outro.

Mas, perguntar-se-á: se, no caso de afastamento ou união com mais parceiros, houver concordância de ambas as partes? Bem! Se da união não participa o coração, aí vem a Doutrina Espírita e ensina que o respeito recíproco já é, em si mesmo, exercício de amor, sem, no entanto, prescindir de asseverar que a monogamia é progresso moral da humanidade.

O verdadeiro amor é a vivência completa da liberdade com responsabilidade. E sob a sombra da autoridade do poeta Manoel Bandeira, que sentenciou que “o amor é intransitivo”, arriscamos: o verdadeiro amor não tem passado nem futuro, porque é um eterno presente.

Quando alguém se une a alguém, há de levar em conta a recíproca expressão dos sentimentos, cumprindo a cada um racionalizar sobre os seus próprios, antes que exija mudanças no outro. Em caso de prejuízo emocional, que se adie a iniciativa, ainda que justa.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca