08 de julho de 2026

Em ritmo de campanha


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O desconhecido Márcio França (PSB), aos poucos, vê sua estratégia de tornar-se conhecido pelos eleitores paulistas rendendo frutos - em parte. Desde que assumiu o comando do governo do Estado de São Paulo, o então vice de Geraldo Alckmin (PSDB) apostou em anúncios de convênios, liberação de verbas, inaugurações de obras concluídas na gestão do antecessor em infindáveis visitas aos municípios do interior, na ânsia de ganhar fama e, consequentemente, votos. Candidato à reeleição, iniciou uma espécie de pré-campanha na tentativa de perde o título de “ilustre desconhecido”. As idas constantes aos municípios paulistas garantem, pelo menos, espaços preciosos a França nos órgãos de imprensa locais e regionais.

Natural de Santos, Márcio França fez sua carreira política na vizinha São Vicente, onde foi vereador por dois mandatos e prefeito por igual período. Foi deputado federal também por duas legislaturas e, em 2014, foi eleito vice-governador de Alckmin. No governo tucano, assumiu também a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. No último dia 6 de abril, foi empossado governador do Estado, após a renúncia de Alckmin, para disputar a presidência da República. São mais de dois meses no posto no qual pretende permanecer por mais quatro anos.

Em apenas sete dias, França veio a Franca por duas vezes. A primeira na última sexta-feira, 8, para participar do Agenda Franca, um seminário que debateu o atual momento econômico e formas de suporte para o empreendedorismo e incentivos ao desenvolvimento da cidade. Nessa quinta-feira, retornou. Desta vez, para anunciar convênios e liberação de verbas a municípios da região (leia textos na Página 6A).

As andanças de França já são alvos de ação na Justiça. O PSDB acusa o governador de usar atos oficiais do governo de São Paulo para se promover. Na última segunda, a Promotoria manifestou-se favoravelmente ao pedido de liminar, solicitada pelos tucanos, para que sejam apagados das páginas oficiais do Estado na internet registros de um evento entre França e prefeitos em São José do Rio Preto, no começo do mês passado. Algo bem parecido com o que aconteceu ontem em Franca.

Para evitar casos como este, a legislação eleitoral deveria ser mais abrangente e também proibir que candidatos à reeleição disputem o pleito no cargo, porque é impossível separar o governador do candidato. Enquanto trava na Justiça uma batalha com o antigo aliado, França segue na sua campanha de autodivulgação. Se o plano com vistas à permanência no comando do Palácio dos Bandeirantes renderá fama e votos ao governador, a resposta ainda é desconhecida, assim como ele.

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