Tenho duas filhas, Rafaella, casada com Yuri e mãe de Benício e Larissa, casada com Rafael. Confesso que não fui um pai muito presente na criação das minhas filhas. Não lembro de ter trocado fralda, dado banho, esquentado mamadeira de madrugada ou mesmo ajudado nas primeiras lições de casa. Fui, não posso negar, muito presente e disponível nas ocasiões em que elas ficavam doentes. Também, convenhamos, só faltava não ser solidário em um momento desse.
Quando do nascimento das filhas, eu tinha uma jornada insana de trabalho. Já era advogado com escritório montado, prestava assessoria jurídica para quatro empresas, lecionava em duas faculdades e aos sábados em um curso preparatória para jovens comerciários. Essas atividades tomavam todo o meu dia e grande parte dos finais de semana.
Por outro lado, a minha esposa Simone, optou por deixar a docência para se dedicar inteiramente à família, revelando-se uma mãe extremosa. Certamente reconhecendo as minhas múltiplas atribuições profissionais, nunca me cobrou uma participação mais efetiva na criação das meninas.
Hoje, no entanto, estou tentando fazer para o meu neto Benício de três anos tudo aquilo que deixei de fazer para as minhas filhas. Já troquei fraldas (ele já há algum tempo não usa mais), dei mamadeira, papinha, banho, ajudo nas tarefas escolares que se resumem, atualmente, em colorir incontáveis cartoons.
Quando os nossos filhos nascem, estamos em uma fase da vida onde a afirmação profissional e a busca por um espaço no mercado de trabalho que possa dar segurança para a família, são as nossas prioridades.
Agora, já na fase madura, o nosso avião já está no piloto automático, tem mais tempo para as coisas que realmente tem sentido, significado e importância. Talvez seja por isso que todos reconheçam que é mais saboroso ser avô do que pai. Evidente que isso é retórico, pois para ser avô antes temos que ser pai. Termino dizendo para as minhas filhas, que tentarei compensar com os filhos delas, aquilo que não consegui ser para com elas. Antes tarde do que nunca.