O maior evento de futebol mundial começa nesta quinta-feira. Às vésperas do início da Copa do Mundo da Rússia, pesquisa do Datafolha mostra que mais da metade dos brasileiros não está nem um pouco interessada no torneio de seleções. O “país do futebol” já não é o mesmo. Enquanto em janeiro, o índice de desinteressados era de 42%, na semana passada, segundo a pesquisa, pulou para 53%. Com a economia nacional degringolada, escândalos de corrupção na política nacional e futebolística, além das péssimas lembranças da última edição do torneio, os brasileiros parecem estar focados na própria sobrevivência. Calejados pelas tragédias dentro e fora de campo, os “amantes do futebol” preferem não criar expectativas. O desempenho de nossas autoridades com o tal “legado da Copa” e a vergonha da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, nas quartas de final da Copa no Brasil, em pleno “Mineirão”, tiraram do nosso povo a alegria de torcer pela seleção e a licença de abstrair-se da realidade, pelo menos de quatro em quatro anos, e de autoproclamar-se o melhor do mundo. A ilusão acabou - pelo menos até a bola rolar.
Foi em 2014, mais precisamente no período da Copa do Mundo no Brasil, que a economia do País começou a afundar. A análise era de que a própria competição, que faria a Nação parar, e a eleição presidencial, que causava incertezas no mercado, explicavam o freio no desenvolvimento nacional. A crise, porém, não era pontual. O que se seguiu foi a maior recessão já vivida pelos brasileiros, cujos reflexos sofremos até hoje. Concomitantemente, os escândalos de corrupção na política começaram a serem revelados, com a recém-criada Operação Lava Jato. Nem os estádios da Copa escaparam dos ratos que estavam - muitos continuam - no poder. Na cúpula do futebol mundial, também não foi diferente. A corrupção parecia ser a marca dos gestores da Fifa, da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a ponto de o mandatário maior do futebol no mundo, Joseph Blatter, ser banido do esporte. O Brasil viu também o ex-presidente da CBF José Maria Marin ser preso pela Justiça dos Estados Unidos. A corrupção atingiu os brasileiros até na sua maior distração.
Em campo, lá em 2014, o ano em que o Brasil poderia ser campeão em casa, sofremos o vexatório 7 a 1. A Copa perdia aí o público que torce “apenas para a seleção”. Nem mesmo o excelente desempenho dos comandados do técnico Tite foi capaz de empolgar os brasileiros. O alto desinteresse de agora pelo Mundial pode ser consequência, ainda, da ressaca da greve dos caminhoneiros. Não pela paralisação em si, mas por ter explicitado a crise econômica que ainda vivemos.
A bola rola amanhã para Rússia e Arábia Saudita. O Brasil entra em campo contra a Suíça, no domingo, às 15 horas. Talvez seja esta a data para contradizermos a nós mesmos na pesquisa, e nos deixarmos inebriar com o espírito da Copa, numa fuga de 90 minutos da realidade. Afinal, merecemos. Precisamos!
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