Palco de debates e de acaloradas discussões, o plenário da Câmara foi tomado pela emoção e por lágrimas na tarde desta terça-feira. A comoção foi causada por uma homenagem feita pelo vereador Arroizinho (MDB) à menina Marcela Cristina Domiciano. Morta aos 10 anos em agosto de 2013, ela vai denominar uma rua da Vila Piemonte.Marcela nasceu em junho de 2003 com hidrocefalia e mielomeningocele com pé esquerdo torto congênito. Dois anos e meio depois, foi retirada de sua mãe por denúncia maus tratos e encaminhada pelo Conselho Tutelar para o berçário Dona Nina. Passou o Natal de 2007 com Edna Aparecida Evangelista Domiciano que fazia parte do projeto Família Acolhedora.A família conseguiu a guarda provisória e passou a cuidar da menina como se fosse filha biológica. Ao mesmo tempo em que fazia o complexo tratamento, Edna deu entrada no processo de adoção. Como não apareceu mais ninguém interessado, o juiz deu a preferência a ela, mas antes que os trâmites burocráticos fossem cumpridos, Marcela morreu em agosto de 2013.A família entrou com pedido de adoção pôs morte e o Ministério Publico opinou pela extinção do processovisto que a mesma faleceu e o seu registro não teria mais valor. Mas, o juiz presenteou a família “pelo amor incondicional”. Com este veredicto, Marcela passou a ser o 2º caso no Brasil de adoção pôs morte. “Impossível não se emocionar com esta história. A família adotiva demonstrou uma capacidade infinita de amar. Parabéns à família e ao vereador Arroizinho pela homenagem”, disse, entre lágrimas, o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD). “A Marcela representava muito para a nossa comunidade e é um exemplo para todos nós. Estou com o coração pesado”, completou Carlinhos da Farmácia (MDB). “Apesar da pouca idade, a biografia da Marcela mexeu com todos nós. Ela foi criada com muito amor”, disse Pastor Palamoni (PSB).Autor da homenagem, Arroizinho disse que não esperava a comoção. “É uma homenagem simples, mas do fundo do coração. A Marcela foi uma lutadora e, agora, terá o nome perpetuado na cidade”.Familiares da menina acompanharam a votação do projeto, aprovado por unanimidade, e também se emocionaram. “A Marcela foi um presente de Deus nas nossas vidas e nos ensinou muitas coisas bonitas. Vivemos muitas emoções com ela. Ela falava que a vida é para ser vivida com alegria. Ela não tinha tristeza e sempre me dizia que iríamos conseguir e conseguimos. A morte repentina dela nos deixou sem chão. Estamos agraciados por Deus ter nos dado a oportunidade de conviver com esta criança”, afirmou Edna Domiciano, a mãe adotiva.