Especialista em economia, a jornalista Mara Luquet, considerada um dos maiores nomes na área de finanças pessoais e bolsa de valores no País, foi a principal atração da 1ª edição do seminário Agenda Franca, realizado na manhã de ontem, na sede da Secretaria Municipal de Educação. Com a presença do governador Márcio França (PSB) - leia mais em texto na página 6A -, a ex-comentarista da Rede Globo discorreu sobre a cronologia de uma das maiores crises enfrentadas no Brasil, sinais de recuperação e as perspectivas para o ano de 2019.
“A economia vive da expectativa e um dos cenários mais assustadores que podemos esperar é o desanimo, mais preocupante que o desemprego é a falta de esperança dos brasileiros com o futuro”, disse.
Falando sobre sua experiência como jornalista na área de economia, Mara Luquet afirmou que, apesar da recessão e a instabilidade que ainda é vivida no País, esta não é a pior crise que acompanha. “Sou jornalista e cubro a área econômica e financeira há muitos anos e já vi muitas crises. A vantagem disso é que a crise já não te assusta tanto, as coisas estão ruins e difíceis? Sim, mas já estiveram bem piores. Quando me perguntam quando o Brasil será o país do futuro, eu digo que ele já é. Sou de uma época, por exemplo a crise de 1998, em que a situação era bem pior”, explicou.
Junto com a gerente-geral de Projetos de Investimentos da agência estadual Investe São Paulo, Ana Beatriz Fernandes, economista pela Universidade do Rio de Janeiro, e o vice-reitor do Centro Universitário Uni-Facef, Alfredo José Machado Neto, a jornalista debateu com o público presente a necessidade de reformas efetivas, a criação de incentivos para a chegada de novos investidores e também o PIB per capita.
“As reformas são essenciais mas, entre todas, a da Previdência é a mais urgente. Ela é necessária por conta do dinheiro mesmo para ter como pagar e melhorar a gestão. Temos que discutir a expectativa de vida cada vez maior e a taxa de natalidade menor, com menos pessoas ingressando no mercado de trabalho”, disse.
Com diversos imóveis vazios na cidade, especialmente comerciais, os incentivos para investidores também foram defendidos pelos economistas. “É preciso gerar incentivos efetivos para que novas empresas sejam instaladas na cidade. Mesmo que o governo perca com os impostos, é preciso considerar que ganhará na geração de empregos, quando os trabalhadores gastarem no comércio local e assim sucessivamente”, disse Alfredo José Neto.
“Em Franca, assim como no mundo, ainda existe muita desigualdade e isso precisa ser discutido. Não é apenas na cidade que o PIB per capita é baixo, mas de forma geral. Reduzir a desigualdade hoje é primordial”, disse Mara Luquet. “Vemos sinais de melhora, sabemos que quando a recessão passar parte dos 14 milhões de desempregados serão reencaminhados ao mercado de trabalho, mas é preciso pensar além”, completou.
Organizado pela Oceano Azul, com apoio da Investe São Paulo e EPTV, A Cidade, G1, CBN, Jovem Pan e Comércio da Franca, o Agenda Franca reuniu profissionais da área econômica, estudantes e autoridades de toda a região.