O governo Gilson de Souza (DEM) tem enfrentado desde o seu início enormes problemas herdados de administrações anteriores, outros originados em mudanças na legislação e tantos mais que surgem no dia-a-dia. Entre os mais polêmicos, que geram grande repercussão entre os francanos, está o reajuste anual da tarifa do transporte público municipal. As negociações para a correção do valor da passagem cobrada pela Empresa São José foram suspensas nessa segunda-feira, após o prefeito dizer “não” - mesmo que por um prazo determinado - às pretensões da responsável pelo serviço na cidade. A negativa dá mostras de que os rumos na administração da cidade estão mudando - o perfil conciliador, que beirava a falta de decisões, está cedendo lugar às decisões firmes e necessárias, que às vezes podem ser até impopulares, mas que são esperadas dos chefes do Executivo. Governar pelo bem de todos, e não para agradar todos, é o que se espera de prefeitos, governadores e presidentes.
No último dia 24, a São José apresentou na Prefeitura seu pedido de reajuste da tarifa. Segundo levantamento da própria empresa, o valor ideal hoje seria R$ 6,43. O preço atualmente cobrado pela passagem é de R$ 4,10. A empresa alega que apenas com o aumento de R$ 2,33 seria possível continuar com “a adequada prestação de serviços no município”. Gilson, porém, foi peremptório: enquanto estiver valendo a decisão do governo federal, que diminuiu o preço do litro do óleo diesel nas bombas em R$ 0,46, as tarifas continuam nos valores em que se encontram. De acordo com o prefeito, a São José se beneficiará com esta redução no combustível e, desta forma, não há motivos para “penalizar a população, que já vem sofrendo tanto”.
Esta é a segunda decisão de grande repercussão tomada pela Prefeitura em oito dias. No início da última semana, sem margem para negociação com os servidores e ameaçada com o alto valor das indenizações trabalhistas a que foi condenada devido ao pagamento irregular de férias até 2016, o governo decidiu apresentar o valor viável - que não ameaçaria o funcionamento da máquina pública municipal - para reduzir o teto dos precatórios e, assim, conseguir até dois anos de prazo para indenizar os servidores.
Estes são apenas dois exemplos do que se espera de um governante. Gilson tomou duas decisões - uma que vai ao encontro dos anseios da população e outra que desagradou em cheio os servidores municipais - e deu mostras de que está no comando da cidade. Com desafios enormes pela frente, como a regularização dos cargos comissionados na administração municipal, o gestor - para usar uma palavra que o prefeito tanto gosta de repetir - se fortalece para tomar as decisões necessárias para o bem de Franca.
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