Walcyr Carrasco, autor de "O Outro Lado do Paraíso" (Globo), explica o sucesso da novela rebatendo as críticas que recebeu. "Além de um elenco maravilhoso e de uma direção fantástica, o que fez a novela ser sucesso foram justamente os pontos criticados por supostos especialistas em televisão. Eles sempre cobravam realismo de uma novela que nunca teve a intenção de ser realista. Ela foi concebida e estruturada como um melodrama à antiga", descreve o escritor.
As curas milagrosas de Mercedes (Fernanda Montenegro) e o reaparecimento de alguns personagens assassinados foram citados em discussões nas redes sociais. "Desde sempre declarei que a trama era inspirada em "O Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas, um livro escrito inicialmente em forma de folhetim e que se tornou um clássico", diz ele.
O autor afirma que jamais conta uma história sem se basear no que ele mesmo acredita. A lei do retorno, usada como mote da trama, veio da Ordem de Rosacruz, um grupo místico e filosófico. "Faço parte da Rosacruz há 30 anos e acredito na Lei de Amra, que é a lei do retorno. Meu sentimento estava presente ao longo de toda trama", diz o autor.Ele explica outro tema que sofreu criticas. A personagem Adriana (Julia Dalavia) tratou o trauma de Laura (Bella Piero), vítima de pedofilia, apenas com base em sua formação de coach. "Sou coach e não exerço a profissão por falta de tempo. Foi justamente na minha formação que eu me defrontei com um número enorme de pessoas abusadas na infância e na adolescência", conta Carrasco. "Não nego, que para casos tão profundos, um psicólogo tem mais ferramentas para trabalhar. Inclusive, há um movimento para que o coach seja um curso optativo para o psicólogo."