Uma sapateira de 31 anos move um processo contra a Santa Casa de Franca por uma suposta troca de bebês. O erro, segundo Ana Paula Câncio, teria acontecido em outubro de 2004, dias após ela dar a luz ao seu primeiro filho.
Jhonatan Matheus Câncio da Silva nasceu no dia 11 de outubro e estava internado. Oito dias depois de seu nascimento, no dia 19, Ana Paula, que estava em casa, recebeu a notícia de que ele tinha morrido. “Tinha visto o meu filho rapidamente por volta das 18 horas, pouco tempo depois me ligaram e me falaram da morte. Ele nasceu prematuro e tinha ido para o quarto no dia que eles (Santa Casa) alegam que tenha sido sua morte. Estava tudo bem e, de repente, ele estava morto.”
Assim que foi informada da morte, a sapateira, que na época tinha 18 anos, foi até o hospital, mas ao chegar no quarto passou mal e, segundo ela, não conseguiu ver a criança direito. Ela foi amparada pelo pai do bebê, que também, segundo ela, não viu o filho. A mãe diz que o bebê que foi enterrado sem um velório. “Não consegui ver ele direito, pois passei mal. Minha mãe viu e, desde o início, sempre disse que não era ele, que estavam enganados. Como estava em choque e sofrendo muito, não acreditei. Desde a perda do meu filho, tive depressão e até hoje tomo medicamentos. Apesar da insistência da minha mãe, não queria acreditar que teriam cometido um erro assim”, disse.
Com lágrimas nos olhos, a sapateira disse que sua mãe, Euripa Aparecida Rodrigues Câncio, sempre insistiu que o menino enterrado não seria seu neto. Em 2005, a mãe do bebê fez a primeira tentativa de saber o que aconteceu. Ela disse que encaminhou uma carta para o setor social do hospital, mas que não obteve retorno. Depois de seis anos do nascimento e morte do filho, em 2010, quando os restos mortais da criança poderiam ser descartados, foi que Ana Paula decidiu procurar um advogado e ingressar na Justiça em busca de respostas.
“Como minha mãe insistia muito, quis tirar isso das minhas costas e procuramos um advogado. O processo começou e até o momento foram realizados dois exames de DNA, ambos comprovaram que ele (o bebê enterrado) não é meu filho. Agora, a Santa Casa quer encerrar o processo porque afirma que o material para o exame estaria prejudicado pelo tempo, mas foram dois exames negativos e quero ir até o fim”, disse ela.
Ana Paula afirma que seu único desejo é saber onde seu filho está e acabar com a angústia que viveu nos últimos 13 anos. “No dia da morte, me falaram apenas que ele tinha água nos pulmões, mas antes disso me falaram que ele estava muito bem. Os exames deram negativo e é mais uma prova”, disse ela. Ana Paula acredita que seu verdadeiro filho não morreu e foi entregue por engano a outra família. “Sei que se passaram muitos anos, quase 14, e que ele deve ter outra família como sua, mas quero saber como ele está, se é bem tratado, tudo o que aconteceu com ele nos últimos anos. Quero resolver a situação para seguir em frente”, disse.
O advogado que representa a mãe no caso, Reginaldo Carvalho, informou que o processo corre em segredo de Justiça e, por isso, não pode comentar o seu andamento.
Em nota, a Santa Casa de Franca informou que “uma ação judicial movida pela senhora A.P.C. está em trâmite, sem decisão final e em segredo de Justiça, razão pela qual não está autorizada a repassar informações a terceiros”.