09 de julho de 2026

Rocinha é ponto estratégico para o tráfico


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Nicola Pamplona e Lucas Vettorazzo
FolhaPress

No fim da manhã de domingo (17), após intensos tiroteios, moradores da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, começaram a postar em redes sociais os estragos provocados pela guerra de traficantes: paredes e veículos esburacados, muitos cartuchos pelo chão e, na cena mais chocante, um corpo carbonizado em meio a uma pilha de lixo ainda em chamas.

As cenas relembraram outras guerras sangrentas na comunidade e deram início a uma operação policial que chegou nesta sexta-feira (22) ao seu sexto e mais conturbado dia, com tiroteios e ônibus queimados em retaliação ao avanço das tropas policiais.

A volta dos confrontos, decorrente da disputa entre facções pelo controle do tráfico na maior favela do Brasil, é também sintoma do fracasso das políticas de segurança no Rio, dizem especialistas.

O Estado passa por grave crise financeira, que afetou as forças policiais (com pagamentos atrasados) e levou ao aumento da criminalidade. No último fim de semana, houve também guerra de facções no Juramento (zona norte), com pelo menos sete mortos.

"Em um cenário de crise generalizada e aumento da violência, é natural que a disputa entre traficantes se intensifique", afirma Ignacio Cano, sociólogo do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Encravada em uma encosta de frente para São Conrado e de costas para a Gávea, bairros nobres da zona sul do Rio, a Rocinha tinha, pelo último Censo do IBGE, de 2010, 69.156 habitantes. A maior de São Paulo, Paraisópolis, reunia na ocasião 42.826 pessoas.

Pelo levantamento do instituto, dos 23.357 domicílios da Rocinha, em 71% os chefes de família tinham renda inferior a dois salários mínimos.