09 de julho de 2026

Exército cerca a Rocinha após pânico no Rio


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Militares fazem cerco à Rocinha após tiroteio entre traficantes e policiais (Vladimir Platonow/Agência Brasil)

Nicola Pamplona, Lucas Vettorazzo
FolhaPress

Após cinco dias de operações policiais, guerra entre facções e tiroteios que provocaram uma nova onda de pânico no Rio, a favela da Rocinha, a maior do Brasil, na zona sul da capital fluminense, foi cercada na tarde desta sexta (22) por homens das Forças Armadas, destacados para atuar por tempo indeterminado no patrulhamento dos acessos à comunidade.

O contingente de 950 militares foi anunciado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, depois de semana de troca de farpas com a gestão Luiz Fernando Pezão (PMDB) -e críticas à falta de ações conjuntas contra a violência.

A Rocinha enfrenta guerra entre facções pelo controle do tráfico desde domingo (17). Nesta sexta, os tiroteios levaram a polícia a fechar, por quatro horas, a Auto Estrada Lagoa-Barra, principal via de ligação entre as zonas sul e oeste da cidade, onde está sendo realizado o Rock in Rio.

Houve trocas de tiros também em outras sete comunidades do Rio. A onda de violência gerou uma série de boatos e espalhou a sensação de insegurança pela população, com fechamento de escolas, postos de saúde e comércio.

Após operação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na Rocinha de manhã, para buscar suspeitos de participar da guerra entre facções, houve confronto. Às 8h, um grupo ateou fogo em um ônibus na avenida Niemeyer, em São Conrado. Uma granada foi lançada em direção a um carro policial, mas o artefato não explodiu. Luciano Monteiro Marques, 41, morador da comunidade, foi baleado e hospitalizado.

Com o agravamento da situação, o governo do Rio decidiu pedir a ajuda para as Forças Armadas cercarem a Rocinha, liberando a polícia para atuar dentro da favela. O reforço começou a chegar às 15h30, com 14 blindados.

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, disse que a topografia da região e as armas pesadas dos criminosos dificultavam a ação policial, mas evitou demonstrar alarmismo. "O Rio não está em guerra. O Rio tem uma situação de violência urbana difícil, como no resto do Brasil."

O Estado está em crise e tem enfrentado dificuldades para pagar salários e garantir estrutura para a polícia. Há um mês, cortou em 30% –ou cerca de 3.000 homens– o efetivo das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

O deslocamento de tropas para a Rocinha foi a primeira ação conjunta entre as forças federais e estaduais desde 21 de agosto. O apoio das Forças Armadas ao Rio havia sido autorizado pelo governo Temer em 28 de julho, mas os trabalhos ficaram emperrados.