11 de julho de 2026

Filme 'João, O Maestro' chega nesta quinta aos cinemas


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Alexandre Nero vive o personagem principal do filme

Érika Valois
FolhaPress

Nem 23 cirurgias nas mãos fizeram com que o maestro João Carlos Martins desistisse da carreira de músico. Com uma vida marcada por tragédias, o artista, hoje com 77 anos, teve de se afastar de sua paixão, o piano, ao menos seis vezes. No filme "João, o Maestro", que estreia nesta quinta (17), em cerca de cem salas, detalhes de sua vida são revelados. E coube a Mauro Lima, roteirista e diretor do longa, levar a trajetória do maestro para o cinema.

Além de diversos concertos, o filme mostra como foi a infância de Martins e sua ascensão, em Nova York, após ser ovacionado pela crítica. O longa também destaca o início de seu drama quando, após um concerto, uma dor na mão direita deu sinal de que algo não ia bem. "Tudo o que está ali sobre a minha vida profissional é verdade. Inclusive a cena que mostra sangue sobre as teclas do piano", diz o maestro. Já a vida pessoal teve algumas partes preservadas, a pedido dele.

Mas, apesar de triste, o filme tem sua dose de humor. "Mostra a minha primeira vez. Fiquei preocupado com essa cena. Pedi ao Mauro que não fizesse de mim um cafona", diverte-se o músico, que perdeu a virgindade aos 20 anos.

A preocupação maior do diretor foi com relação à técnica que seria mostrada pelos atores nas cenas em que o maestro toca piano. Por isso, Lima fez questão de escalar atores que também fossem músicos. "O Davi Campolongo já tocava alguns instrumentos, o Alexandre Nero é músico, e o Rodrigo Pandolfo tinha feito aulas de piano", conta o cineasta, referindo-se aos atores que vivem Martins em diferentes fases da vida.

E foi justamente com a técnica que Alexandre Nero se preocupou quando recebeu o convite. "Quando vejo filmes sobre música, noto que alguns atores nem fingem que estão tocando. Quem é músico se desconcentra quando vê cena malfeita. Então, fui estudar. Não para tocar, mas para tratar como coreografia. Fiz o balé das mãos."