Somos muito mais do que já perdemos a vergonha de mostrar. Esta frase, a de encerramento de meu texto “Fazendo diferença” cá neste Comércio, quarta-feira passada, suscitou dúvidas em alguns. Perguntaram-me se acho que quem não mostra a cara deixa de ser cidadão e se torna gente de segunda. Argumentaram que quem opta por não mostrar, exercita direito conquistado, já que pagam impostos como todos. Discordo veementemente. Quem se esconde é covarde. Repito: quem cala, consente!
Construir um país decente é tarefa de quem sua, apanha, encara lutas que precisam ser lutadas. Recuso-me a aceitar – e grito o que penso – que se mande partidos coligados – não seria melhor dizer conchavados? – substituírem deputados que votariam a favor de autorização para investigar o presidente Michel Temer, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Afinal, ele é diferente de você, de mim, de qualquer um de nós que tem o nome inscrito no SCPC ou vai para a cadeia, se isso for o que merecemos? Será que dinheiro público – seu, meu, nosso! – pode ser distribuído a deputados para que barrem pedidos de investigação contra o presidente da República?
É possível ler nas palavras, gestos e ações de Michel Temer, medo. Desesperado, autoriza cargos e recursos como ‘moeda de troca’ para aumentar seu quórum de votação e safar-se de investigações mais apuradas!
Se, de uma vez por todas, não perdermos a vergonha de mostrar a cara em público defendendo a verdade e a Justiça, a geração que hoje “professoramos” levará o Brasil ao fundo do esgoto, sem escrúpulos. Somos o que ensinamos!
NELSON RODRIGUES: O leitor Cláudio Borges, aposentado, comentou o “Fazendo diferença”: “Brasileiros, mesmo os cumpridores de suas obrigações legais, fiscais e constitucionais, não se unem por falta de tempo, falta de interesse, falta de conhecimento ou conformados por – ainda – estarem vivos. Desinteressados em combater quadrilheiros, confirmam Nelson Rodrigues: ‘O brasileiro só é solidário no câncer’”.
AVISO AOS DESCUIDADOS: O estudante de Direito Roberto Casali foi notícia em todo o país ao contestar mulheres pagando menos que homens em baladas. “Homens e mulheres são iguais perante a lei”, disse. Ao mostrar a cara, criou oportunidade para o deputado Marcelo Squassoni (PRB-SP) apresentar projeto de lei na Câmara Federal, proibindo variação de preços de entrada e de consumação em boates e eventos, com base em gênero ou identidade. Há muito mais, e em todos os setores. Você tem celular pré-pago Claro? Eu tenho. Meus créditos terminaram e não percebi. Recebi, dali a pouco, “torpedo”. A própria Claro, via 555, me daria R$ 5 para eu não ficar sem falar. Era só responder “SIM”. Avisava que eu pagaria só R$ 7 quando fizesse recarga. Então, pelos R$ 5, juros de 40%(!!!). Outro patente e descarado engodo brasileiro não fiscalizado, ou autorizado pela Anatel?
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto
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