11 de julho de 2026

Show por eleições diretas reúne manifestantes na zona oeste de SP


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Além dos blocos, estiveram à frente do ato grupos de esquerda, como Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo

Manifestantes e militância de partidos e movimentos de esquerda se reúnem neste domingo (4) no largo da Batata, zona oeste de São Paulo, em ato pela saída do presidente Michel Temer e realização de eleições diretas.

Organizado por blocos carnavalescos, o protesto não veta a participação de movimentos que pediram a saída da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) -no entanto, os grupos não estiveram no evento.

Além dos blocos, estiveram à frente do ato grupos de esquerda, como Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo.

Participantes do ato empunham bandeiras e usavam camisas de partidos como PT, PCO e PDT, da CUT (central sindical ligada ao PT) e de movimentos como a CMP (Central de Movimentos Populares) e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).

Em um trio no Largo, artistas fazem apresentações e pedem "fora, Temer" e "diretas já". Primeiro a se apresentar, o cantor Chico César criticou a gestão do prefeito João Doria (PSDB), sob aplausos do público.

O líder do MTST, Guilherme Boulos, e outros representantes de movimentos, engrossaram o coro contra a prefeitura e governo do Estado, criticando a ação na cracolândia e secretário municipal de Cultura, André Sturm, que disse querer "quebrar a cara" de um agente cultural. "Parabéns aos grupos de cultura que ocuparam a secretaria do Doria", disse Boulos no trio.

Participam da manifestação deputados federais como Ivan Valente (PSOL) e Paulo Teixeira (PT). Artistas como Péricles e Emicida se apresentaram no palco e até o final da tarde os cantores Criolo, Mano Brown, Paulo Miklos e Pitty devem se apresentar. Organização e Polícia Militar não estimaram o número de pessoas no largo.

ABAIXO- ASSINADO

O ato pelas Diretas Já teve um posto de coleta de assinaturas em apoio às Diretas Já, organizado pelo PSOL. Também era possível aderir a um abaixo-assinado que pede a saída do secretário municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm.

Em outro ponto do ato, era possível ouvir um grupo de manifestantes cantar: " Não acabou, tem que acabar, quero o fim da Polícia Militar".

APARTIDÁRIOS

Muitos dos manifestantes que foram até o largo da Batata, não se consideram de esquerda ou direita, mas favoráveis ao combate a corrupção e transparência no governo.

"Espero que esse ato atraia um público diverso, para que as pessoas entendam que as Diretas Já podem unir pessoas diferentes. É importante pensar nessa diversidade e tolerância", declara a pesquisadora Aline Khouri, 27. A pesquisadora reitera a necessidade de ser uma mobilização bem planejada "para que não se transforme em trampolim para um candidato populista e conservador".

Liana Cabral, 32, servidora pública "Vim porque sou contra o Temer e a política atual do Brasil, contra todos esses escândalos. Não votamos nesse governo ilegítimo e queremos novas eleições porque o Congresso não está apto para eleger ninguém". Ela veio com uma amiga para o ato, pelo caráter apartidário e ser liderado por artistas. Participou de ato pelo impeachment de Dilma. "Não fui por quem organizava, mas acreditava que era uma causa justa".

"Nunca fui para rua, mas agora é o momento deles (jovens), e como não estava anunciada nenhuma manifestação de partido ou repressão da polícia, achei que era um bom momento para vir e trazer minha filha adolescente", declara Anderson Lucena, 41, que se diz apartidário.

A publicitária de 36 anos, Mariana Padilha, que também participou dos atos contra o impeachment e da greve Geral após o trabalho, diz não participar dos atos do MBL por não considerar um movimento. "Foi algo que surgiu para mobilizar em torno de um discurso, mas qualquer pessoa que tenha um pouco de informação tem noção que aquilo não é sério".

"Sem cultura e conhecimento, como as pessoas vão lutar por seus direitos?" - afirma o produtor de moda Cauir Santos, 24. Ele já participou de protestos anteriores ligados à esquerda, incluindo as manifestações de 2013 contra o aumento da tarifa de transporte público. O produtor acha que os políticos se beneficiam do menor acesso da população à arte e à educação.

A socióloga Maria Luiza Rebouças Stucchi, 59, levou filhos, sobrinhos e netos para o ato. "Meu filho está estudando o que foi as Diretas e o movimento dos Cem Mil na escola e quis trazê-lo para ele vivenciar isso. Não sei o que vai acontecer, mas estamos vivendo um momento bem parecido de exceção". Ela se identifica com os partidos de esquerda, e participou do movimento dos 'Cem Mil' e 'Somos Fora Temer desde que nascemos'.

"Fiquei sabendo dos shows do Brown, Criolo e Chico César e também vim porque concordo com o 'fora Temer'. Sou a favor de novas eleições e queria ver os discursos políticos", disse a estilista Maria Janaína Alencar, 23.

"Acredito que só com a população se unindo vamos conseguir mudar o sistema imposto por um pequeno grupo que domina o sistema capitalista do Brasil"; declara Wendreo Souza, 26, gesseiro desempregado.

Ele afirma que participa das manifestações desde 2013. "O governo de Michel Temer é ilegítimo e está rasgando a constituição e nós, trabalhadores, não aceitamos e estamos saindo às ruas para dar um basta. Quero ver se vão fazer transmissão para mostrar uma manifestação do povo e não da burguesia"; declara, em referência à rede Globo.

A manifestação está prevista para encerrar no início da noite.REGRASNo caso de uma eventual saída de Michel Temer da Presidência, a Constituição determina a realização de eleições indiretas -porque a vacância ocorreria nos dois anos finais do mandato, iniciado em 2015 após a reeleição de Dilma.

Para que ocorram eleições diretas, é preciso mudar a legislação. Há dois projetos -um na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (de autoria de Miro Teixeira, Rede-RJ) e outro na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (de autoria de Reguffe, sem partido-DF)- que pretendem alterar a Constituição para estabelecer eleições diretas caso Temer deixe o cargo agora.