08 de julho de 2026

Bodas de Ouro


| Tempo de leitura: 3 min

Quando, há mais de cinquenta anos, a luz dos olhos meus e a luz dos olhos verdes teus resolveram se encontrar - com sua licença Mestre Poeta Vinicius de Moraes – ai, que bom que isso foi, meu Deus, que frio que me deu o encontro desse olhar. A partir daí não havia mais luz quando não percebia a tua presença e o frio que sentia era a ausência de teu olhar. Era infinito o desejo de ficar enlaçado em teus braços, haurindo o perfume florido de lilases de teus lábios, encantando-me com teu sorriso suave e encabulado. Não havia mais meios de me libertar desse fascínio e a única forma era postular a teus pais a tua mão em casamento. Na verdade não se quer só a mão, mas todo o teu ser, teus olhos, teu olhar, tua boca, teu corpo enfim. O desejo era tão forte que eu me imaginava cingido pelos teus braços, boca com boca, olhos fechados, devaneando-nos como uma pluma pairando no ar e a lava interna do vulcão se aquecendo até que ficasse incandescente e explodisse numa erupção de amor intenso, substituindo nossas mentes e pensamentos por miríades de estrelas e astros multicoloridos num espaço etéreo.