Diego Bargas
Nova York (EUA)
Durante o mês de abril, os teatros da Broadway abrem as portas com dez espetáculos inéditos. Entre eles, quatro são adaptados de filmes: "Anastasia", "Amélie, a New Musical", "Groundhog Day" ("Feitiço de Tempo") e "Charlie and the Chocolate Factory" ("A Fantástica Fábrica de Chocolate").
Blockbusters, animações e até filmes estrangeiros estão credenciados para serem musicados e recriados no palco, em busca de um público já familiarizado com as histórias e, assim, mais disposto a desembolsar cerca de US$ 100 (R$ 330) para assistir a um musical.
Além de venderem com maia facilidade, musicais derivados do cinema costumam ter vida longa. A jornada das histórias originais é mais árdua. "Dear Evan Hansen" e "Come From Away", que também estreiam neste mês, devem se destacar no Tony Awards (o Oscar do teatro americano), mas estão fadados ao destino de seus antecessores: "Fun Home", vencedor do prêmio em 2015, já saiu de cartaz.
Contra a maré, "Hamilton" (Tony em 2016) é o azarão: o musical que conta a vida de Alexander Hamilton tem casa quase cheia até março de 2018 - os poucos ingressos disponíveis custam pelo menos US$ 750 (R$ 2.475).
Entretanto, Lin-Manuel Miranda, que concebeu a obra, deixou o espetáculo por motivos cinematográficos: para as canções da animação da Disney "Moana", que concorreu ao Oscar na categoria, e está rodando uma nova versão de "Mary Poppins".
Musicais originais que se destacam costumam fazer o caminho contrário e chegar a Hollywood. Os resultados financeiros, no entanto, mostram riscos."Chicago" estreou na Broadway em 1975, voltou em 1996 e ficou desde então. Chegou ao cinema em 2002 faturando seis Oscar e US$ 306,7 milhões (R$ 1 bilhão) em bilheteria.
Já "O Fantasma da Ópera", que detém o título de musical mais longevo da cidade, ganhou as telonas em 2004 e decepcionou: fez apenas US$ 154,6 (R$ 510 milhões).
MÃO DE OBRA
Remontagens de grandes sucessos chegaram em meados de março e têm destaques de Hollywood como atrativo. "Sunset Boulevard", musical baseado no filme "Crepúsculo dos Deuses", de 1950, conta a trajetória de uma decadente estrela de cinema.
Glenn Close, que fez o espetáculo na década de 1990, volta a encená-lo agora que sua carreira tem semelhanças com a da personagem que interpreta: aos 70 anos, a atriz de sucessos como "Atração Fatal" (1987) está restrita a papéis coadjuvantes - neste ano ela aparece em "Guardiões da Galáxia Vol. 2".
Outra na mesma situação é Bette Midler. Se falta trabalho em Hollywood (seu último filme foi "Família em Apuros", em 2012), na Broadway Bette é a estrela de "Hello, Dolly!", com ingressos vendidos até setembro.
Mesmo atores mais ativos em Hollywood flertam com a Broadway. Jake Gyllenhaal protagoniza o musical "Sunday in the Park with George", de Stephen Sondheim. No cinema, estará na ficção científica "Vida", seu décimo longa em cinco anos, e "Okja".
PARA NÃO FICAR SEM INGRESSO
Preços variam de US$ 65 a US$ 300.
Mais concorridos? "Sunday in the Park with George", com Jake Gyllenhaal encerra temporada de apenas um mês no domingo (23). Com casa cheia desde a estreia, os ingressos partem de US$ 300 (R$ 990). Outro com preços salgados ao menos até setembro é "Hello, Dolly!", a partir de U$ 200 (R$ 660).
Planejado ou não?
É possível comprar lugares em todos os espetáculos com antecedência, pela internet. Mas as produções costumam incentivar a compra no dia da peça, com promoções-relâmpago de ingressos remanescentes nas bilheterias dos teatros ou na TKTS, sob a escadaria da Times Square.
De última hora?
Nos guichês, é possível conseguir lugares de última hora em "Charlie and the Chocolate Factory" por US$ 119 (R$ 392), e "Anastasia", "Amélie" e "Groundhog Day" por US$ 99 (R$ 329). Os sites ticketmaster e telecharge vendem ingressos da maioria dos musicais.