“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”. Esta é uma afirmação que se tornou conhecida a partir do livro de memórias de Gabriel Garcia Márquez – Viver para contar. E me veio com muita insistência à mente, enquanto lia os vinte e oito textos que compõem Minha aldeia, mais um título a ampliar a já vasta obra de Luiz Cruz de Oliveira. A protagonista desta história que tem mais de dois séculos é Franca. Mas o Tempo também é personagem que ocupa lugar de grande destaque. Experiência pessoal, social e histórica, o livro desperta a sensibilidade para o espaço que habitamos e restaura o olhar, talvez embaçado pelo hábito, para reconhecer no presente traços de um passado que desvela a arqueologia da cidade onde nascemos ou que, como aconteceu ao autor, escolhemos para viver.