21 de junho de 2026

Papai Educa: minha família dá muito palpite!


| Tempo de leitura: 4 min

“Catuca pai! Catuca mãe! Catuca filha! Eu também sou da família, também quero catucar”. O trecho da canção composta pela dupla Tom e Dito e eternizada na voz de Dudu Nobre é uma boa ilustração para a abordagem. Aliás, quem nunca lidou com cutucadas? Uma resposta negativa a esta questão só pode vir de quem não tem filho. Quando uma criança desembarca em nossa vida, as intervenções familiares são inevitáveis. Muitos palpites ocorrem na tentativa de ajudar os pais, sejam eles marinheiros de primeira viagem ou não. As sugestões aparecem assim que o resultado positivo do teste de gravidez é revelado. Trocar informações nesta fase é indispensável. A quem ouve, é preciso saber triar o conteúdo. A quem fala, cautela já que o momento da descoberta da paternidade/maternidade está carregado de sentimentos.

Quando se descobre uma gravidez desejada, a vontade é contratar o serviço do carro de som e anunciar. Queremos ser parabenizados, falar de planos, expor os sonhos, as alegrias e o primeiro apontamento é: “Não poste em rede social. Tem muito olho gordo e vocês podem perder o bebê” (se tivesse a oportunidade aqui, nesta folha, eu colaria o emoticon [símbolo do aplicativo Whatsapp] com carinha de espanto). Bem-vindo, à intervenção! A comunicação com o mundo dobra na medida em que a barriga da mamãe cresce. Pai, mãe, sogra (o), irmã (o), vizinha (o), amiga (o)...

Todo mundo tem uma opinião a dar, mesmo que você não a peça.Pois bem, o que é bom para um, pode não ser para o outro. Um casal grávido deve ser poupado de muita informação indesejada, necessita ter audição seletiva e buscar subsídios com quem realmente entende do assunto. Dúvidas da gravidez, do pré e pós-nascimento, de mortalidade infantil e da gestante, as complicações possíveis do parto, seja normal ou cesárea, e outras questões que envolvem a saúde da mamãe e do bebê serão buscadas com especialistas. “Conversas de comadre”, superstições e especulações, quase sempre, são dispensáveis.

Com o nascimento, os homens ainda enfrentam os impactos do choque de geração e da ignorância quanto à sua capacidade para desempenhar as tarefas em igualdade com a mãe. "Ele não sabe"... "Não vai conseguir"... "Isso não é função de homem"... "É melhor você pegar o bebê!"... "Na minha época homem não fazia isso"...

"Seu marido vai ficar com o bebê?"... As frases vêm em murmúrios, mas ecoam na alma do pai! A maioria delas escutamos assim que os pequenos chegam e decidimos pela paternidade ativa. Calma. Elas são naturais, virão dos mais próximos, impulsionadas pelo machismo e feminismo, uma vez que ainda caminhamos para desconstruir estereótipos...

Permita-se lambuzar todo para trocar a fralda, fechar os botões errados do macacão, segurar de forma desengonçada o bebê no colo, perguntar inúmeras vezes sobre o mesmo assunto para não errar, ou também se prontificar a dividir as funções com a parceira. Se não sabe, papai tem de aprender... Não podemos mais enfrentar os preconceitos de que o homem não pode ser igual na tarefa de criar e educar filhos.

A recomendação é descartar os conselhos que desestimulam ou não se enquadram em seu modelo de paternidade e maternidade. Da mesma forma, estar aberto a orientações evita o cometimento de erros. Muitos, principalmente os avós, querem partilhar o peso da culpa, dos acertos e desacertos passados! Entretanto, é preciso deixar claro que cada um deve executar sua função na família. Uma conversa sincera evita constrangimentos e situações embaraçosas, especialmente na disciplina do comportamento das crianças. Deixe claro que há hora e momento adequado para os apontamentos, que são bem-vindos, mas que não devem ser feitos na frente da criança. Se não, desta forma, tirará a autoridade do pai e mãe, bem como se tornarão invasivos.

As pessoas mais próximas, aquelas que sugerem mudanças no comportamento dos pais, na maior parte das vezes, os criaram. Manter a boa convivência é essencial para gerar um ambiente saudável à criança. Permita que os avós, tios e outros familiares estreitem relações, estejam sempre por perto e participem da criação e educação, sem destoar e contrariar o ensinado pelos pais. Acolher a boa ajuda é benéfico. A ruim, descarte. Fortalecer os laços fomentará a saúde emocional na infância, fará a criança se sentir amada e desenvolverá suas habilidades sociais e emocionais.

Leandro Nigre é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, em Presidente Prudente e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com