08 de julho de 2026

Paternidade ativa, o que é?


| Tempo de leitura: 4 min

Aquela velha história de que o pai é apenas o provedor financeiro do lar já não prevalece em muitas famílias. O então papel exclusivo da figura paterna foi abraçado pelas mulheres, que garantiram espaço no mercado de trabalho e ainda lutam por igualdade de direitos entre os gêneros. Justo! Nesta seara, os papais se tornaram mais participativos, responsáveis e envolvidos no desenvolvimento da prole. Estão mais desembaraçados nesta arte de formar seres humanos. Ainda que o termo paternidade ativa provoque questionamentos por leigos e especialistas, por o considerarem “mera tendência do mundo moderno”, representa o ser humano do sexo masculino que se doa em tempo integral à família, dedicando-se em igualdade com a mãe.

Existe o pai inativo? Sabemos que sim! Há ainda aqueles que podem ser considerados "semi-ativos", pois estão presentes, mas não efetivamente colaboram com a rotina dos pequenos, olha lá financeiramente. Não sou adepto de classificações, elas dividem a sociedade, proposta contrária aos anseios... Afinal, pai é pai, e mãe é mãe, mesmo quando um destes substitui por alguma razão de ausência do outro.

Hoje, pai de dois Joões, o João Guilherme, de 4 anos e meio, e João Rafael, com DPP (data provável do parto) para 5 de abril, e atuando mais ativamente nesta questão, observo um maior número de homens na luta por igualdade. No Chile, o “Guía de paternidad activa para padres” (2014), elaborado com a apoio da Unicef, desmistifica a fixação de funções para os gêneros, quebra estereótipos e busca conscientização.

Aliás, pai não é coadjuvante, não é ajudante. Apenas pai e deve dividir as funções nos cuidados e educação dos filhos. Eles querem trocador de bebês no sanitário masculino, cobram o direito de irem às compras e ao lazer sozinhos com suas crias sem olhares de soslaio e já estão fadados dos julgamentos de sua capacidade de cuidar, criar, formar, educar... Pai dá conta do recado, sim!

Ser pai vai muito além de trocar fraldas, preparar a mamadeira, papinha, conduzir ao colégio, ensinar a tarefa escolar, colocar para ninar, brincar... e levar o rótulo da paternidade ativa nas costas. É ser e estar presente para suprir as necessidades nas 24 horas do dia, que parece ter 48 horas quando o assunto é compromissos a serem cumpridos e 12 horas se a tônica é o descanso, o lazer e o tempo em família. Neste caminho, vamos compartilhar tudo o que deu ou não certo!

Na paternidade ativa, não almejamos chuva de elogios, mas buscamos vivenciar o conceito de homens conscientes de que as mamães podem dividir a criação e educação da prole. Neste processo, o turbilhão de informação é tamanho, sem fim...Aliás, não se inventou fórmula de como fazer sem erro algum... Portanto, falaremos de saúde, educação, criação, lazer, responsabilidades, obrigações, direitos, deveres e o que conduz este processo: amor.

Falar de paternidade virou estímulo àquele que considero meu mais importante papel. Não se trata de expor a rotina familiar, mas usar a experiência no jornalismo para fomentar a educação e compartilhar o que deu certo ou não nesta tarefa, sem fórmulas secretas. Desta forma, papais, mamães e interessados, vamos nos aprimorar no aprendizado que atravessou as gerações, nos arriscar nas indicações de especialistas, de parceiros, mas deixar o coração conduzir, pois a única certeza é “querer acertar”. Partilhemos dos mesmos pesos e medidas! Semanalmente nos encontraremos neste espaço!

Dica de leitura

PAPAI É POP

Best seller escrito em 2015, que originou a série de obras do autor. Ele produz conteúdo para TV, rádio, jornal e internet e é um dos incentivadores da paternidade ativa. São mais de 100 mil cópias vendidas e milhões de pessoas tocadas pelas histórias que reforçam a importância da família. Na publicação, a tônica é que as grandes preocupações de um pai de primeira viagem são, na maior parte das vezes, dispensáveis, pois na prática o que as crianças exigem não tem valor monetário.

Autor: Marcos Piangers

Editora: Belas Letras

Páginas: 112

Preço: a partir de R$ 20

 

QUEM AMA EDUCA

Estamos no século 21: educar não é mais seguir os padrões dos nossos pais, mas quebrar velhos modelos, atualizando-os com novos paradigmas. Neste best seller em Educação, o autor demonstra que pais e educadores precisam absorver o novo ritmo da geração digital de jovens, que, mergulhada em tantos estímulos tecnológicos, muitas vezes, funde-se à identidade dos grupos, permitindo que esta se sobreponha à estrutura  familiar. A obra foi atualizada com subtítulo “Formando Cidadãos Éticos”, pela filha do ator, Natércia.

 

Autor: Içami Tiba

Editora: Integrare

Páginas: 320

Preço: a partir de R$ 28,90

 

 

Leandro Nigre é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, em Presidente Prudente e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com