Aristóteles, em sua Poética, tratado onde refletiu sobre a essência da literatura e a diversidade dos gêneros conhecidos naquele momento da História, diz a certa altura que “A peripécia é uma mudança para a direção contrária dos eventos (...)em conformidade com a probabilidade ou com a necessidade (…)” Ele falava ( e continua falando) aos autores e se referia a um ponto crucial de qualquer narrativa, criando um conceito tão importante que permanece até hoje insubstituível. Mudou apenas a nomenclatura: hoje chamamos à “peripécia” de “plot”. Em termos mais ampliados, trata-se do nervo do enredo, é a alma da trama, é o nó da intriga, é a mola propulsora que movimenta os fatos, transformando a ação e os personagens. Sem o plot, a história não caminha, não deslancha, não responde à pergunta que todo ficcionista coloca para o leitor de forma clara ou sub-reptícia. Joseph Campbell, o estudioso dos mitos, atualizou o pensamento de Aristóteles e desvelou num ensaio célebre- A jornada do herói, o percurso que nas histórias clássicas cumpre o homem comum, transformando-se ao longo das muitas provações surgidas em seu caminho.