09 de julho de 2026

Posse de Trump tem discurso em tom sombrio


| Tempo de leitura: 3 min

Coroando uma das ascensões mais meteóricas e improváveis na história do país, o empresário Donald Trump foi empossado nesta sexta (20) como o 45º presidente dos Estados Unidos, sem baixar o tom agressivo da campanha e mantendo a promessa de mudar a cara da política.

Em seu discurso de posse, Trump traçou um quadro sombrio do país, citando mulheres e crianças reféns da pobreza, fábricas abandonadas, um sistema educacional falido e o crime fora de controle.

"Esta carnificina americana para aqui e agora", prometeu o presidente, após prestar o juramento com a mão direita erguida e a esquerda sobre duas cópias da Bíblia que a primeira-dama, Melania, segurava.

A posse de Trump foi mais sóbria e atraiu menos gente que transições anteriores -900 mil esperados, ante 1,8 milhão que vieram à primeira posse de Barack Obama, em 2009- mas sinalizou uma profunda ruptura com o legado do primeiro presidente negro da história dos EUA.

Prestes a virar história, Obama foi recebido com aplausos mornos da plateia de convidados que acompanhou de perto a cerimônia, enquanto mantinha o ar solene, mas com direito a alguns sorrisos. Em contraste, sua mulher, Michelle, carregava um semblante pesado, dando a impressão de estar ali de má vontade.

Depois contrariar a maioria das análises e pesquisas e ganhar a eleição, Trump também desafiou a previsão meteorológica, que dava como quase certo que seu juramento seria debaixo de chuva e levou boa parte do público a vestir ponchos de plástico.

O tempo não chegou a estar "lindo", como ele previu na véspera, mas as poucas gotas de chuva que caíram durante a cerimônia não chegaram a afetar a posse.

Usando gravata em tom vermelho vivo, Trump deixou de lado o improviso habitual em seu discurso de posse, mas não a retórica de ataque."20 de janeiro de 2017 será lembrado como o dia em que o povo voltou a governar esta nação", disse.

Enquanto as palavras de Trump ecoavam pelo National Mall, a alameda dos monumentos de Washington onde o público se reuniu, coros esporádicos de "EUA! EUA!" eram ouvidos. Entre os fãs de Trump, muitos que vieram de longe para testemunhar o momento histórico, como o aposentado Mike Allen, 70, mesma idade do presidente.

"Apoiei Trump desde o começo, isso parece um sonho. Ele ficou bilionário nos negócios e vai trazer sua fórmula de sucesso para o governo", disse ele, que percorreu quase 3.000 km vindo de Utah.

Longe do perímetro reservado aos convidados da posse, a confirmação de Trump como presidente foi a realização de um pesadelo para muitos, que participaram de protestos em várias partes da cidade, alguns violentos.

Um grupo de jovens que se infiltrou na área VIP foi expulso pela segurança quando começou a gritar slogans no meio do discurso.

"Viemos defender a decência e protestar contra um presidente que não respeita as diferenças. Trump não é meu presidente", disse à reportagem Clare Sandburg, 25, enquanto era expulsa.

WASHINGTON FESTIVA

Mas se foi enevoada por uma legião de insatisfeitos e pelo boicote de mais de 60 deputados democratas, a posse também deu um ar festivo à capital americana, com multidões esperando em longas filas para embarcar no metrô ou comprar café. Fantasiado de tio Sam, Robert Mann, 53, disse que não apoiou Trump, mas foi à posse "para honrar a democracia americana".

Sem o brilho das posses de Obama, depois que vários artistas esnobaram o convite para se apresentar na posse de Trump, a cerimônia foi concluída com o hino nacional cantado por uma iniciante, Jackie Evancho, 16, que foi revelada pelo programa "America's Got Talent". Nas posses de Obama a missão coube a Aretha Franklin (2009) e Beyoncé (2013).

Sentada a poucos metros de Trump durante a cerimônia, sua adversária na disputa pela Casa Branca, Hillary Clinton, não foi mencionada no discurso de posse, mas mereceu um reconhecimento durante um almoço do novo presidente no Congresso.

"Juntos faremos a América grandiosa novamente", disse pausadamente em seu discurso, repetindo seu slogan de campanha. Concluiu o discurso com o que talvez seja a única mensagem em comum com seu antecessor: "Deus os abençoe. E Deus abençoe a América".