09 de julho de 2026

“Por que não chove para cima?”


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Crianças poetizam seu entorno e filosofam sobre a realidade o tempo todo. Porque elas  vivem de forma mágica e lúdica a infância, que se grafa no latim  infantia, e cuja etimologia nos remete para ‘aquele que não tem voz’. Em busca de voz para nomear o que veem pela primeira vez, e de entendimento da realidade que a elas se oferece em estreia, usam seus  recursos especiais, que variam muito. Podem lançar mão de metáforas, sem saber que o fazem, e  um rio parecerá cobra de vidro, como nos versos de Manuel de Barros, nosso poeta imenso que se recusou a abandonar a meninice. Podem tentar apreender fenômenos naturais de forma desconcertante para adultos e perguntar, por exemplo, “por que não chove para cima?”