EMPRESA descumpre CONTRATO E ACORDO AO TIRAR COBRADORES DOS ôNIBUS
No Brasil sempre é assim: contratos entre empresas privadas e o setor público são sempre tratados como sigilosos e dificilmente é possível consultá-los em sua totalidade. Este tipo de situação levou à investigação da Lava Jato, que descobriu um “clube de empreiteiras” na Petrobras, responsável pelo maior escândalo de corrupção da história do País, envolvendo políticos, diretores da estatal, doleiros e lobistas. E parece que não ficou por aí: a cada obra pública investigada, novas fraudes são descobertas, implicando cada vez mais administradores públicos e políticos. Caso a nossa Justiça não fosse tão lenta e leniente, pelo menos metade dos integrantes do Congresso Nacional e um grande número de autoridades já estariam atrás das grades.
O grande problema com que corruptos e corruptores sempre contavam era com a falta de transparência que envolvia qualquer tipo de obra paga com o dinheiro público. A partir da Lava Jato, a ação da Polícia Federal e do Ministério Público ganhou o apoio popular, dando-lhes força para abrir várias frentes de trabalho que levaram até à prisão da ex-prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD) por causa de um esquema de desvio de dinheiro que deixou a Prefeitura da vizinha cidade quebrada. E estes novos ventos têm movido também as novas administrações municipais. Em Franca, o contrato de concessão do transporte público de Franca e o acordo assinado pelo ex-prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) com a Empresa São José estão na mira do novo governo Gilson de Souza (DEM).
Uma auditoria comandada pela Emdef (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Franca), responsável pela fiscalização do transporte, em parceria com a Procuradoria do Município, começou a ser feita em todos os serviços prestados pela empresa e deve apontar eventuais irregularidades no cumprimento das obrigações da concessionária. O presidente da Emdef, Wanderley Cintra Ferreira, já deixou claro que a São José vem deixando de cumprir pontos dos documentos, como a extinção do cobrador em algumas linhas, o que contraria o determinado em contrato. Além disso, a redução do número de ônibus em dias e horários específicos também contraria o que foi assinado. Não será surpresa se outras irregularidades aparecerem. Nestes novos tempos que varrem a política brasileira, não se pode deixar de aplaudir e apoiar a iniciativa da Emdef, uma vez que por décadas a fio a Empresa São José oferece um serviço que suscita reclamações de grande parte dos seus 70 mil usuários/dia. O eleitor-contribuinte precisa saber como o seu dinheiro vem sendo gasto e acompanhar a forma como o Poder Público fecha os acordos derivados dos contratos, sem que exista este tipo de “caixa preta”. É o mínimo que todos nós merecemos.